Cidade ruma para a virada do século
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 10 de dezembro de 1998
Adriana De Cunto, Célia Baroni, Cláudia Lopes e Egidio Brizola 
Otimismo! É com este enfoque que boa parte dos analistas enxergam Londrina hoje, aos 64 anos. Em plena arrancada para o início do terceiro milênio que se aproxima, a cidade é foco de manifestações elogiosas, mas também recebe críticas.
Quando o assunto é a preservação ambiental e a exploração dos recursos hídricos, por exemplo, Sandra Márcia Cesário Pereira da Silva, engenheira civil, revela preocupações. Segundo ela, os empresários, principalmente, devem se conscientizar da necessidade de instalar suas indústrias com equipamentos suficientes no tratamento de dejetos.
Os conflitos sociais também obrigam os estudiosos a enrugar as testas. A professora da Universidade Estadual de Londrina (UEL) Yoshiya Nakagawara Ferreira, uma especialista na área de geo-ciências, aponta como uma das preocupações mais séria as invasões urbanas. São ações organizadas. O pessoal (sem-teto) já traz seus pertences como se estivesse fazendo uma mudança definitiva. Chega com carretas de tijolos, exemplifica.
Na economia, porém, as análises são menos críticas, quando feitas pelo economista Ismael Mologni. Segundo ele, diretor-financeiro da Sercomtel, apesar do cenário macro-econômico hostil e nebuloso, o sol continuará brilhando sobre Londrina. Ele justifica: Londrina mantém um perfil atraente aos olhos do empresariado por ser um centro econômico convergente.
Da mesma forma, o presidente do Grupo Promotor do Desenvolvimento Regional (GPDR), Octávio Cesário Pereira Neto, afirma que Londrina está vivendo o seu apogeu industrial e seus representantes trilham o caminho certo, ao estimular e investir no setor.
Octávio Cesário aposta que a industrialização será um dos braços importantes na consolidação dos objetivos do GPDR: a criação de uma grande região metropolitanas unindo dois pólos de desenvolvimento importantes, Londrina e Maringá. Através do desenvolvimento regional queremos aumentar a geração de empregos e melhorar a qualidade de vida da população, justifica o presidente.
Mas é na prancheta do atual responsável pelo planejamento da cidade que são relacionados equilibradamente os pontos positivos e negativos de Londrina. O engenheiro Mário Stamm Júnior, presidente do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina (IPPUL), pondera: Vários setores precisam de um reforço e implementação para atender a demanda atual e futura. Mas existe preocupação e iniciativa do Poder Público em preparar a cidade.
O engenheiro acrescenta que Londrina foi preparada para ser pequena, mas cresceu muito além do que podiam imaginar seus criadores. Agora temos que rever tudo e melhorar o que for possível, reforça.
Especificamente sobre o sistema viário, setor no qual Stamm atua e onde se observa, nos últimos meses, a grande quantidade de obras em andamento, o engenheiro garante: Londrina está se preparando e buscando a melhor maneira de se desenvolver sem perder a qualidade de vida que é hoje o seu principal atrativo. (Texto final de Walter Ogama).


