Cidade foi planejada para 50 mil pessoas
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quarta-feira, 09 de maio de 2001
Marcos Zanatta 
O projeto urbanístico de Maringá implantado pela Companhia Melhoramentos Norte do Paraná (CMNP), que até hoje serve de exemplo para outras cidades, não foi respeitado durante o processo de ocupação da área urbana. Os primeiros problemas começaram a aparecer com a necessidade de se expandir a zona residencial. Os bairros mais próximos ao centro, como o Jardim Universitário e a Vila Esperança, mostram o descaso dos loteadores com o projeto inicial de ocupação da cidade.
Faltou uma sequência do projeto original, diz o professor do departamento de Engenharia da Universidade Estadual de Maringá (UEM), Luiz de Carvalho, que foi coordenador de Planejamento do município de 1978 a 82. Ele diz que Maringá foi um empreendimento de sucesso da CMNP, o que atraiu outros investidores que loteavam áreas próximas ao centro sem respeitar o projeto urbanístico da empresa. Carvalho revela que a companhia projetou uma cidade para 50 mil habitantes. Hoje são quase 290 mil moradores.
Como Maringá chamou a atenção de muitos agricultores, atraiu também os investidores interessados em aproveitar o crescimento da cidade. Eram pessoas que compravam áreas em torno do projeto inicial mas não seguiam o mesmo padrão na hora de lotear, explica. Na época da colonização Maringá era distrito de Londrina, depois de Apucarana e por fim de Mandaguari, e não possuía uma estrutura de poder público suficiente para barrar as irregularidades. -
Segundo o professor, somente por volta de 1976 o então prefeito João Paulino Vieira tomou alguma providência. O crescimento da cidade estava estrangulado e o João Paulino suspendeu o alvará de 10 loteadoras, recorda.
O poder público passou então a cobrar um crescimento ordenado, dando sequência ao que estava feito dentro da proposta inicial de colonização. Um dos sintomas mais visíveis até hoje é a interrupção de avenidas por loteamentos, o que acaba estrangulando o tráfego em alguns pontos da cidade.
Durante alguns anos, o crescimento foi mais ordenado, mas o problema está de volta. Para o professor Carvalho o poder público falhou a permitir a abertura dos chamados loteamentos rurais. São estruturas montadas por particulares totalmente irregulares e que vão prejudicar o crescimento da cidade no futuro, avisa. Ele calcula que existam 44 loteamentos rurais, a maior parte sem condições de ocupação.
Para o prefeito de Maringá, José Cláudio Pereira Neto (PT), este crescimento desordenado dos últimos anos é um dos problemas mais sérios da cidade. Já freamos todo tipo de loteamento e só vamos liberar novos empreendimentos com infra-estrutura completa, avisa. José Cláudio cita o Jardim Tarumã 2 como exemplo da falta de presença do poder público na liberação de novos loteamentos.
O bairro, liberado há menos de quatro anos, está dentro de uma área de preservação ambiental, com lençol freático a poucos metros do solo e sérios problemas de infra-estrutura. Precisaríamos de R$ 4 milhões para regularizar a situação do loteamento, e não temos como viabilizar tanto dinheiro, diz. O prefeito calcula ainda que existem outros 12 loteamentos com problemas, além de cinco rurais que estão se adequando às exigências do planejamento.


