Em julho deste ano, o boletim do Departamento de Trânsito do Paraná (Detran) trouxe um número preocupante aos curitibanos: a frota de carros da capital paranaense chegara à cifra de um milhão de veículos, cerca de 1,8 por habitante.
  Esse grande volume de automóveis circulando pelas ruas da cidade acaba trazendo problemas ao trânsito de Curitiba, transformando os horários de pico em verdadeiras provas de resistência e paciência para os motoristas.
  Na tentativa de dimensionar esse problema, a reportagem da FOLHA simulou uma viagem entre o Centro da cidade e um bairro próximo durante o horário de pico da tarde. A intenção era reproduzir o trajeto que muitos curitibanos fazem todos os dias após o expediente. Nossa expedição deixou o estacionamento na Rua Carlos de Carvalho precisamente às 18h21 em direção ao bairro Alto da XV. Para percorrer uma distância de seis quilômetros foram gastos 38 minutos, o que resulta numa média de 6,3 minutos por quilômetro rodado.
  Nem de longe esta situação se compara à dos grandes centros urbanos brasileiros, como São Paulo e Rio de Janeiro, onde os engarrafamentos podem ser medidos por quilômetros parados. Mesmo assim, o trânsito lento dos horários de pico irrita os curitibanos, prova disso foram os depoimentos que a equipe de reportagem colheu durante o trajeto.
  Cláudio Todeschini costuma pegar caminhos alternativos para evitar aborrecimentos, mas nem sempre consegue fugir dos engarrafamentos. Quando é obrigado a seguir pela região central ele diz levar 40 minutos para percorrer cinco quilômetros até sua casa. Cleuza de Almeida é mais pessimista, acredita que para andar três quilômetros amargará 40 minutos atrás do volante. ‘‘Uma saída é o rodízio (de carros) que nem tem em São Paulo’’, sugere a motorista.
  Segundo a diretora de trânsito da Urbanização de Curitiba S.A. (Urbs), Rosângela Battistella, Curitiba ainda não está em uma situação tão crítica a ponto de colocar o rodízio (sistema onde alguns veículos ficam impedidos de circular em determinados dias da semana de acordo com o número da placa) como uma opção. ‘‘Seria muito radical implantar agora’’, avalia. No entanto, outras alternativas para melhorar o fluxo de veículos estão em estudo para serem implementadas a curto prazo (leia nesta página).

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