Em 1979, quando a ''jovem quarentona'' Londrina se expandia rapidamente, a promulgação de uma lei federal obrigando os loteamentos a destinar 35% de sua área para o poder público, acabou dotando a cidade de um número razoável de praças. Segundo uma pesquisa orientada pela professora Miriam Vizintim Fernandes Barros, do Departamento de Geografia da Universidade Estadual de Londrina (UEL), em 1995 havia no município 207 praças, sendo 97 urbanizadas. O número é considerado bom pelo arquiteto Ivan Prado Júnior, professor da disciplina Paisagismo, do curso de Arquitetura e Urbanismo do Centro Universitário Filadelfia (Unifil). 'O problema é a má conservação dos equipamentos como consequência do mau uso desses espaços'', diz o professor.

Ivan Prado Júnior coorderna anualmente cerca de 40 projetos, desenvolvidos por estudantes do 3º ano do curso de Arquitetura, propondo a revitalização de praças em vários bairros da cidade. Segundo ele, antes de começar o projeto de revitalização, os alunos partem para uma análise da praça e são verificados vários itens, como vitalidade (se os equipamentos estão em bom estado e se eles são utilizados pela população) e controle (a forma como a população usa o espaço).

O professor comenta que principalmente as praças da periferia contam com equipamentos (playground, bancos, quadras esportivas) e assim são mais utilizadas pelos moradores. ''Na periferia é maior a relação da casa com a rua e a praça tem uma continuidade da rua. Por isso, nos bairros e nos cojuntos habitacionais as crianças acabam utilizando para lazer e recreação'', explica.

A maneira como as pessoas percebem a praça é muito importante para a vitalidade e conservação dela, diz o professor. Ele cita dois exemplos contrastantes. Um deles é a Praça Rocha Pombo, no centro da cidade, uma das mais antigas e que foi tombada pelo Patrimônio Histórico. ''É uma praça que perdeu a vitalidade'', constata, justificando que ela está isolada pelo muro do Museu Histórico Padre Carlos Weiss e é frequentada até por traficantes de drogas.

O bom exemplo, para o arquiteto, é a Praça Nishinomiya, no Bairro Aeroporto (zona leste). ''Ela tem um significado cultural, legibilidade, vitalidade e equipamentos em bom estado de conservação'', resume.

Ivan Prado Júnior lembra que a função de ''passagem'' das praças centrais acabou tornando-as muito visadas por comerciantes, como é o caso da Marechal Deodoro e da Sete de Setembro. Na opinião do arquiteto, a insegurança está afastando as pessoas desses locais: ''Elas já foram mais usadas por idosos, por exemplo, para lazer passivo''.

A praça, explica o arquiteto, exerce várias funções em uma cidade, já que é um espaço importante para o convívio social, representa uma clareira no meio dos edifícios e contribui para a ampliação do verde na cidade. A professora Miriam Vizintim Fernandes Barros lembra que o verde urbano (incluindo as praças) representa um fator importante na questão ambiental, permitindo, entre outras coisas, maior infiltração da água da chuva.

Miriam defendeu tese de doutorado, em 1998, na Universidade de São Paulo (USP), que tevemo como tema ''Análise Ambiental Urbana: Estudo Aplicado à Sociedade de Londrina''. A professora também considera que o número de praças é bom, mas lembra que em alguns bairros elas não passam de um terreno vazio, sem infra-estrutura.

A professora explica que os edifícios residenciais tentam reproduzir a função de praça, criando espaço até mesmo com playground. Mas ela comenta que o pátio do prédio não consegue reproduzir uma das grandes funções da praça, que é de ''acolher pessoas de diversos interesses para troca de idéias, lazer e recreação''.

Outra constatação de Miriam é que atualmente o verde urbano acabou se incorporando ao valor venal dos imóveis. Assim, segundo a professora, é possível verificar em alguns bairros de classe social mais elevada praças com vegetação bem cuidada, conservada, mas sem equipamentos e, em consequência, sem a ocupação da comunidade.

Apesar de Londrina ter conseguido destinar mais de 200 espaços para praças, uma emenda na Lei Orgânica do município preocupa arquitetos e urbanistas da cidade. É o artigo 82 que prevê a doação da área caso não tenha sido arborizada ou recebido benfeitorias em um período de 10 anos.

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