Agência Estado
Não foi um século de grandes formulações, mas de grande experimentação, define Paulo Renato Souza, ministro da Educação. ‘‘Todas as idéias que foram formuladas basicamente nos séculos 18 e 19 foram testadas, os modelos políticos de organização da sociedade foram claramente postos em prática, com avanços, fracassos e rupturas.’’ E o extrato final desta era de evolução e quebras concentradas aponta a democracia como saldo positivo, diz.
Para o ministro, este é o valor político que fica mais claro depois de todos os conflitos filosóficos, ideológicos e bélicos destas décadas. ‘‘É um paradoxo, porque nunca houve tanta matança e violência como nesse século, mas de tudo isso o que sai realmente fortalecido é a democracia.’’
No mundo da produção e tecnologia, diz Paulo Renato, este é o século da chamada terceira Revolução Industrial. ‘‘É tão importante quanto a primeira Revolução Industrial, mas é mais rápida e concentrada no tempo.’’ E na fonte de tudo, lembra, estão a comunicação e a digitalização, que permitem o avanço tecnológico em todas as áreas.
Se o poder do cidadão é a diretriz essencial do Homem deste período, o aperfeiçoamento da democracia é a principal meta para as sociedades do Século 21, indica Paulo Renato. E a educação está na base dessa perspectiva.’’
Era do ConhecimentoNo Século 21, as pessoas serão convocadas a ser alunos insaciáveis e professores incansáveis, porque a educação está cada vez menos restrita à escola. A visão do pedagogo e educador Antonio Carlos Gomes da Costa se baseia na grande transformação que houve no aprendizado do Homem desde 1900.
Arquivo FolhaCenas como as dos grandes vestibulares das últimas décadas devem tornar-se mais raras nos próximos anos: a educação está cada vez menos restrita à escola; a idade de formação é a idade da vida produtiva‘‘A educação extrapolou o espaço da escola, não existe mais uma idade escolar porque a idade de formação é a idade da vida produtiva e, cada vez mais, da própria vida’’, analisa. Consultor requisitado por organismos internacionais como Unicef e OIT, Costa dirigiu a Febem em Ouro Preto (MG) e reuniu experiência suficiente para orientar governantes, líderes e ONGs em ações estratégicas para a formação de crianças e adolescentes. Daí vem sua defesa de uma educação continuada.
‘‘Essa é a forma de viabilizar o sucesso e o êxito dentro da vida nos novos tempos’’, sugere. ‘‘A educação está se tornando um componente do modo de ser de todas as atividades na sociedade’’.
Para Costa, a grande marca do Século 20 e dos anteriores é justamente a crescente consciência do Homem em torno da formação dos cidadãos. ‘‘O que este milênio está nos ensinando não é que a economia vai mudar a educação, como se costumava pensar, mas sim que a educação vai mudar a economia’’, diz ele.
A produção qualificada de informações, segundo o educador, vai consolidar da chamada Era do Conhecimento. Mas será necessário um aperfeiçoamento contínuo para que todas as camadas da população possam fazer uso destes conteúdos.
‘‘É preciso uma difusão democrática desta informação, não só com o acesso ao veículo, mas também com a linguagem adequada que permita o acesso ao conteúdo por contingentes cada vez mais amplos’’. Por fim, será necessária a recepção crítica. ‘‘É dela que vai surgir o potencial mudancista da sociedade brasileira’’.
Respeito à infânciaEste foi o século da erradicação de doenças antes consideradas ‘‘naturais’’, e foi o século do reconhecimento das crianças. Para a japonesa Reiko Niimi, representante do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) no Brasil, a vitória sobre a varíola, nos anos 70, com a vacinação em massa, provoca uma mudança nas perspectivas do Homem. ‘‘Isso mudou completamente a expectativa de vida e instalou uma visão preventiva sobre a saúde das populações’’, justifica ela.
E a noção do respeito à criança, segundo Reiko Niimi, é outra conquista importante. ‘‘Até este século, a criança nem era lembrada quando se falava em direitos humanos, apesar de ser incluída regularmente no trabalho para contribuir com a economia da família’’. Agora, há uma tendência favorável, diz Reiko, e os avanços já estão sendo inscritos em leis. Mas os passos seguintes ainda são longos. ‘‘Vai levar ainda muito tempo para o respeito à infância passar do âmbito jurídico e institucional para a prática’’.

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