CIDADANIA - Curitibanos pedem mais verba para segurança
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 12 de maio de 2008
Karla Losse Mendes<br> Equipe da Folha 
Mais de 22% das 15.317 sugestões enviadas pela população durante a elaboração da proposta para o orçamento municipal em Curitiba para 2009 dizem respeito à segurança. A pavimentação e recuperação das vias são consideradas como segunda prioridade pelos curitibanos, recebendo 21,36% das sugestões, à frente de questões como a saúde, com pouco mais de 13% das solicitações, educação com 5,92% e trânsito 5,82%.
Os dados completos sobre o resultado das sugestões feitas pela população para o orçamento do próximo ano serão apresentados hoje pela manhã, em uma audiência pública no Memorial de Curitiba. A próxima etapa será o envio do projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) à Câmara Municipal, que deve acontecer até o dia 15 de maio. As participações na elaboração da LDO foram enviadas durante as audiências públicas nas regionais, pela internet e pelo telefone 156, canal de comunicação com o cidadão mantido pela prefeitura.
Nos bairros, as prioridades também são bastante distintas. Nos bairros centrais, a principal preocupação é com segurança. Já no Abranches, Prado Velho e Augusta, a saúde é considerada prioridade. No Seminário e Alto da XV, o trânsito é considerado o setor com mais necessidade de investimento. Nas regiões próximas aos municípios da região metropolitana, a pavimentação é o serviço mais citado pela população.
Segundo o secretário municipal de Finanças, Luiz Eduardo Sebastiani, as audiências públicas são uma obrigação legal, mas o município procurou aprofundar, obtendo da população o que ela defende como prioridade, antes de estabelecer o que será possível fazer com os recursos disponíveis''. Para ele, o orçamento é o coração do relacionamento da população com o poder público. ''É a forma de cada cidadão saber o quanto contribuiu e o destino deste recurso'', afirma.
Embora o secretário municipal de Planejamento, Sérgio Matheus Rizzardo, ressalte que o orçamento sempre será insuficiente para suprir todas as demandas, o que torna imprescindível a discussão sobre as prioridades. ''A demanda por segurança pública, por exemplo, é feita ao município que tem um papel apenas suplementar. Não existem alterações orçamentárias que tornem possível atender totalmente essa questão, embora estejamos nos esforçando para aumentar e equipar a guarda municipal e assim auxiliar neste processo'', explica.
Para a líder da oposição na Câmara Municipal, Professora Josete (PT), o orçamento da cidade não privilegia a participação popular. ''O orçamento em Curitiba é cidadão só no nome'', dispara.
De acordo com a vereadora, o número de solicitações que farão parte do orçamento é quase nulo. ''É possível observar isso nas audiências sobre o assunto produzidas pela Câmara, poucos vereadores levam em consideração essa demanda na hora de propor emendas'', afirma. Ela ressalta ainda que o teto para emendas ao orçamento, hoje R$ 300 mil por vereador, acaba limitando e desistimulando a ação parlamentar.


