Chuva, vento, granizo, destruição
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sábado, 05 de junho de 2004
Renon Junior<br>Reportagem Local 
Com a chegada constante de frentes frias, esta época do ano se torna mais suscetível à formação de tempestades. Massas de ar frio vindas da Argentina e do Uruguai, encontram massas de ar quente e podem provocar grandes pancadas de chuva. ''Quando as massas formam nuvens de 2 a 3 mil quilômetros de extensão, pode haver formação de granizo e tempestades de curta duração. Muitas vezes, antes da chuva também ocorrem rajadas de vento'', explica o meteorologista Marco Antonio Rodrigues Jusevicius, do Simepar (Sistema Meteorológico do Paraná).
A Defesa Civil do Paraná reuniu em estatísticas todas as calamidades que atingiram o estado no período entre 1980 e 2003. Neste período, foram registradas 739 tempestades e 329 ocorrências com granizo. O mês de junho é o período em que esses fenômenos mais ocorrem, cinco vezes em média. A Defesa Civil dividiu o estado em 8 coordenadorias regionais. Na estatística, as regiões de Londrina e Cascavel aparecem como as mais desequilibradas. Juntas, concentram 63,5% das tempestades e 66,8% das chuvas com granizo. O oeste do Paraná também é líder em enchentes, com 35%.
A história recente do estado mostra que várias vezes a natureza mostrou sua fúria. Ventos acima de 100 Km/hora foram registrados em todas as regiões do Paraná, destelhando e até destruindo casas, ferindo e matando pessoas. Gente arrastada pelo vento, embaixo de paredes desabadas ou vítimas de ataques cardíacos. Tragédias em poucos minutos, como as que marcaram o mês de maio de 1992. Em menos de uma semana, os municípios de Almirante Tamandaré e Borrazópolis foram devastados pelo vento.
Em Almirante Tamandaré (Região Metropolitana de Curitiba), o vendaval durou menos de um minuto, mas passou pela cidade a 118 Km/hora. Foi o suficiente para destruir 500 casas em três bairros, deixar duas mil famílias desabrigadas, matar 5 pessoas e mandar mais de 100 feridos para hospitais da região metropolitana de Curitiba, 10 deles em estado grave. Alheios à comoção pela calamidade, alguns moradores ainda saquearam o que restou das casas em escombros.
Seis dias depois, novo temporal, desta vez no norte do estado. Os 10 mil moradores de Borrazópolis (84 km ao sul de Apucarana) assistiram a um espetáculo de terror. Segundo os institutos de meteorologia da época, os ventos atingiram a impressionante marca de 160 Km/hora. Quatro pessoas morreram, entre elas um pioneiro da cidade, João Antonio Moreira, que teve um infarto fulminante ao sentir pânico no temporal. Mais da metade das casas do município teve algum tipo de prejuízo.


