A Chrysler Corporation fará dois investimentos no Paraná, ambos em Campo Largo, na Região Metropolitana de Curitiba, próximo à bifurcação do trecho para Ponta Grossa. Em uma área de 1 milhão de metros quadrados, a empresa está em andamento com construção da fábrica que produzirá o utilitário Dakota. E numa joint-venture com a BMW AG, produzirá motores para o mercado externo.
No final de julho a Chrysler recebeu a aprovação do Relatório de Impacto Ambiental (Rima), requisito básico para o início das obras, e começou os serviços de terraplenagem. Segundo Luiz Fernando Beréia, diretor de Relações Governamentais, dos R$ 315 milhões que a empresa está investindo, R$ 100 milhões serão gastos nas obras de construção civil.
Ainda no segundo semestre de 98 a Chrysler começará a produzir cerca de 12 mil Dodge Dakota/ano, podendo alcançar a marca de 40 mil carros/ano. O quadro de pessoal marca 400 empregos diretos na primeira fase, aumentando gradativamente com a produção.
A fábrica da Chrysler do Brasil está recebendo investimentos da subsidiária da montadora no Panamá, e não da matriz da empresa, em Detroit (EUA). O grupo norte-americano, que leva o nome de Chrysler International Corporation, participa da composição societária da fábrica brasileira com apenas uma ação, o que totaliza R$ 1,00. O restante do investimento inicial - R$ 3,4 milhões - vem todo da panamenha Chrysler Internacional Services.
InvestimentosA montadora acredita que superará a crise econômica nacional gerando empregos
O secretário da Fazenda, Giovani Gionédis, rebatendo críticas sobre os protocolos assinados com a Chrysler, disse: ‘‘Para o governo é indiferente quem são os acionistas da Chrysler do Brasil. O que importa é o investimento, que será de R$ 315 milhões’’. Ele disse que tanto faz ter a fábrica de Detroit ou a do Panamá financiando a empresa brasileira, pois a tecnologia dos carros será norte-americana. Quanto ao capital social de R$ 3,4 milhões, o secretário disse que este é o início do investimento. O volume de dinheiro vai aumentando à medida que a Chrysler se consolide no Estado.
A Chrysler pretende manter todos os planos de investimento em Campo Largo. A confirmação foi feita pelo presidente da empresa no Brasil, Dennis Kelly. Ele deu mostras que está confiante no governo e aposta num ajuste das medidas econômicas até março.
Confiança Ao contrário de montadoras da região do ABC paulista como Volkswagen e Ford, que ameaçam demitir funcionários e reduzir salários, a direção da Chrysler diz que tem uma visão mais otimista do mercado brasileiro. ‘‘O País demonstra que pode sobreviver à crise asiática’’, afirmou Kelly. Mas ressaltou que se as taxas de juros se mantiverem altas, o ‘‘remédio vai matar o paciente’’.
A montadora vai fabricar 6 mil unidades no primeiro ano de atividade. Da produção inicial, 2 mil veículos serão exportados para Chile e Argentina. A empresa tem intenção de vender também para países da Europa. A capacidade instalada permite à montadora fornecer até 40 mil unidades ao ano.
Kelly acredita que a exportação poderá ser uma saída para a empresa caso persista a recessão econômica nacional. Ele disse que ‘‘será fácil’’ colocar 4 mil veículos no mercado nacional se a economia reagir a curto prazo.
Para operar, a unidade de Campo Largo manteve 30 engenheiros, executivos e trabalhadores da linha de produção em treinamento nas fábricas da Argentina e Estados Unidos. Escolhidos entre outros mil candidatos, eles vão ensinar os demais. A próxima fase de contratação vai ser em janeiro. A Chrysler tem previsão de vender 20 mil veículos no próximo ano, faturando R$ 900 milhões. Neste ano, foram vendidos 10,5 mil carros, cinco vezes mais do que em 1996.

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