China, Meca e Ucrânia na mesma praça
Em uma ampla casa localizada na Praça da Ucrânia, no bairro Bigorrilho, funciona, desde agosto do ano passado, o restaurante do filho de Zheng Quan. A decoração, com muito vermelho e dourado, e detalhes como a Árvore da Fortuna e a fonte de água, não deixa de dúvidas: trata-se de um autêntico estabelecimento de origem chinesa, organizado sob a orientação do ''feng shui''.
Entretanto, o nome na fachada - Meca - provoca dúvidas. Afinal, qual a relação entre os sabores da culinária chinesa e a mais sagrada das cidades muçulmanas, terra natal do profeta Maomé? Na verdade, nenhuma. A tentativa de traduzir um termo em mandarim acabou gerando a confusão.
''Logo no começo, as pessoas entravam e perguntavam se o restaurante era de comida árabe. Eu não entendia, até que uma cliente explicou o que era Meca. Esse nome significa algo como 'tempero bom' na China'', esclarece Tan Zhiyan, o Yan, de 27 anos, com forte sotaque, apesar de estar completando uma década em Curitiba. ''Acho que teremos de mudar o nome da casa'', admite, resignado.
Duas mil famílias chinesas na Capital
Ele e os parentes estão entre as duas mil famílias chinesas que vivem atualmente na capital paranaense, segundo dados da Associação Cultural Chinesa do Paraná. Trinta por cento delas dedicam-se ao comércio de produtos alimentícios em lojas, lanchonetes ou restaurantes.
''Eles querem parcerias com os brasileiros, negócios sólidos'', afirma José Carlos de Oliveira, presidente da Câmara de Comércio e Indústria Brasil-China, que atua em Curitiba desde 2001. De acordo com ele, trabalhar em família ou com funcionários brasileiros não é fator determinante para o sucesso dos negócios.
Tan Zhiyan concorda. ''Brasileiro é povo bom para se trabalhar'', diz ele, que contratou cinco funcionários por aqui. O cozinheiro, porém, é um primo que chegou recentemente da China. As diferenças culturais e a barreira do idioma não chegam a atrapalhar a rotina do lugar. ''Quando a gente precisa saber alguma coisa da cozinha, o Yan traduz para ele (o cozinheiro)'', explica Danilo Santana, que garante não ter do que reclamar. ''Ele paga direitinho'', ressalta. (L.X.)





