Maior compradora da soja produzida no Paraná, a China concentra as atenções dos produtores. No ano passado, o gigante asiático cresceu 7,4%. O Fundo Monetário Internacional (FMI) estima que crescerá 6,8% neste ano e 6,3% em 2016. Essa desaceleração gera dúvidas quanto a capacidade do país de continuar comprando boa parte da crescente produção de grãos brasileiros.
O vice-presidente da Associação dos Produtores de Soja (Aprosoja) na Região Leste de Mato Grosso, Endrigo Dalcin esteve na China há poucas semanas, e afirma não estar preocupado com essa possibilidade. "Conversei com muita gente lá. Eles têm preferência pela nossa soja porque ela tem maior teor de óleo e proteína. Além disso, a desaceleração é pequena. Eles têm um PIB tão grande. E agora, depois de ter investindo muito em infraestrutura, estão decididos a incentivar o consumo interno", declara.
Outro receio é o de que a China, que vive um processo de modernização de sua agricultura, consiga aumentar a produção a ponto de comprar menos do Brasil. Para o economista do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria do Estado da Agricultura e Abastecimento (Seab), Marcelo Garrido Moreira, o produtor brasileiro também não deve se preocupar com isso. "Mesmo a China aumentando a produção dela, seu consumo também é crescente", declara.
Para o diretor da Câmara de Comércio e Indústria Brasil China, Kevin Tang, nem a desaceleração econômica, nem o aumento da produção interna chinesa ameaçam a importação crescente dos grãos brasileiros. "As dificuldades atuais da China não terão o menor impacto no consumo de alimentos lá. (Com a desaceleração econômica), você pode dirigir menos, pode consumir menos produtos eletrônicos. Comer menos será a última coisa", afirma.
De acordo com Tang, o governo chinês está preocupado em tornar a economia "mais racional" e oferecer uma maior segurança alimentar à população. Ele conta que a China está modernizando sua agricultura, investindo em novas técnicas e em maquinário. "Aquela imagem das comunas, de um sistema produtivo atrasado, não existe mais."
Segundo o diretor, o agronegócio chinês ganha cada vez mais participação da iniciativa privada. "Mas ainda há grandes fazendas que pertencem a estatais e muitas pequenas propriedades de cooperativas", declara. Ele diz que a agricultura daquele país ganha produtividade, mas que isso não ameaça a importação de produtos do Brasil. "Existe uma incapacidade chinesa de dar conta de toda a sua demanda, não só de grãos, mas principalmente de proteína animal", afirma.
A incapacidade, conforme explica o diretor, está ligada ao fato de que o país não tem fronteiras agrícolas para desbravar. "Tem pouca área agricultável e terá cada vez menos por causa da urbanização", justifica.
Apesar de contar com uma área territorial 10% maior que o Brasil, a China tem sete vezes mais habitantes e condições geográficas desfavoráveis para a agricultura, como deserto de Gobi, Himalaia e Sibéria. "Efetivamente, na China, cerca de 20% da área é agricultável. E já está totalmente utilizada", declara.
Além disso, ele aponta a falta de recursos naturais como impeditivo para que a China avance mais na área agrícola. "Os poucos recursos que a China tem de terra é água estão praticamente exauridos. E em cima disso tem uma crescente urbanização", declara.
Tang ressalta que, ao contrário do Brasil, o país asiático está saindo de uma economia baseada em investimentos para outra sustentada pelo consumo. "A renda dos consumidores chineses vêm aumentando e eles têm vontade não só de se alimentar, mas de se alimentar melhor", destaca. De acordo com ele, há muitos milhões de chineses que serão inseridos como consumidores nos próximos anos. "São pessoas que estão mudando para a cidade, de modo que o apetite da China vai continuar aumentando."

Imagem ilustrativa da imagem China cresce menos, mas continuará comprando muito
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