Fogo ligado. Temperatura subindo. Hamburgueres, salsichas, bacon e frango chiando na chapa quente do carrinho ou da lanchonete. Vira para lá, mexe para cá, acrescenta quantias generosas de molho, acomoda tudo dentro do pão, aperta, embala e pronto. Mais um lanche no capricho. Mas com tantas opções no mercado, os chapeiros estão tendo que se virar para conseguir cativar a clientela não só pelo sabor como também com outros atrativos.
Um dos mais bem sucedidos chapeiros de Londrina, Arnaldo Mikio Tsuruda, descobriu rápido que não bastaria atrair apenas o paladar do cliente. Ele trabalhava com lanches tradicionais até que no início dos anos 90 percebeu que havia espaço no mercado para apostar no ''hot dog''. Sem dinheiro sobrando, colocou o próprio nome no letreiro (Arnaldo Lanches), comprou um carrinho modesto e foi para rua: Avenida JK, em frente a um colégio público. Em vez da receita tradicional, criou as suas próprias (duas apenas) e, a partir daí, só colecionou sucessos.
Após 17 anos, Tsuruda possui pontos comerciais nas avenidas Bandeirantes e Maringá e dispõe de uma equipe exclusiva para entregas, tem planos de abrir lojas em outras cidades e está implantando um sistema de franquias. Dá emprego para 60 pessoas - sendo 16 chapeiros - que trabalham de segunda a sábado para atender tantos pedidos.
Do tempo da rua, o chapeiro que virou empresário conserva a sabedoria adquirida na dificuldade e um comparativo: se naquela época vendia 30 lanches diários, agora atende 250 clientes por hora. ''O que fez dar tudo certo foi acreditar na idéia e, em cima disso, ter muita dedicação, trabalhar firme e contar com uma boa equipe ao lado'', avalia, completando que nos dias de muito movimento coloca o avental e a toca e mata a saudade da chapa quente. ''Já atendo a segunda geração dos meus clientes'', comemora.
A chapa também foi a saída encontrada por Claudemir Antônio Bandeira, o ''Cláudio Lanches da Vila Iara (Zona Leste)'', quando perdeu o emprego de motorista de ônibus há 13 anos. Ele engatou uma primeira e decidiu fazer algo que realmente gostasse. Curioso, aprendeu sozinho a fazer os lanches mais comuns, comprou um carrinho e acelerou.
Com a ajuda da esposa, Silvana, o negócio prosperou e hoje garante o conforto da família. ''Para dar certo, tem que ter qualidade e gostar do que faz. Eu, por exemplo, já tinha trabalhado em vários serviços mas não gostava de nenhum até decidir trabalhar no que queria realmente'', ensina Bandeira. Um de seus campeões de audiência atuais é o ''X-Cavalo'', um lanchinho básico com tudo em dobro e que pesa ''apenas'' 900 gramas. Ele encara? ''Não, eu como lanche todo dia mas sem maionese, sem bacon, só com hamburguer, queijo e tomate'', garante.
O exagero e preços atraentes (a partir de R$ 1,00) foram as iscas usadas pelo agora comerciante Cláudio Fernandes Lopes para fisgar clientes para sua lanchonete no Cafezal 2 (Zona Sul), criador do maior lanche de Londrina - ''Psiu Turbo - que pesa 1,6 quilo. São seis hamburgueres, três salsichas, três ovos, bacon, frango, presunto, queijo, batata palha, alface e tomate. Mas até agora ninguém conseguiu comer um inteiro. E olha que ele fez até promoção: comendo dois Psiu Turbo, mais uma coca-cola 2 litros em 30 minutos, o cliente não paga a conta e ainda ganha R$ 100,00. Mas se não der conta do recado, a fatura vem dobrada. ''Fiz isso mais como uma brincadeira, para chamar a atenção da freguesia'', conclui Lopes.

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