Chá
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 21 de agosto de 1997
Fabiano Camargo 
Trazido pelos ingleses da Índia, o hábito de tomar chá enraizou-se de tal forma na cultura britânica que virou uma das imagens símbolos do país, assim como a Rainha, o Big Ben e a guarda real. Talvez pela presença marcante da colonização européia, talvez pelo frio, muitos curitibanos também reservam espaço no seu cotidiano para esta hábito.
O prazer de tomar um chá é cultivado em locais especialmente dedicados a esta paixão: os salões de chá. Existem opções desde os endereços mais tradicionais, como a Confeitaria Schaffer - com quase 80 anos -, ou locais mais novos, como o café Kafe Fest, intalado no Solar do Rosário.
No Kafe Fest, reservas são solicitadas por clientes fiéis durante toda a semana e em muitos fins de tarde fica difícil conseguir uma mesa - principamente no inverno. O tradicional salão da Schaffer também continua sendo palco para o gosto do curitibano por um bom chá. Há quase oitenta anos, muitas pessoas se reúnem no local para este hábito que pode ser considerado - por adoção - legitimamente curitibano. Tem gente que vinha quando criança com os pais, continuou frequentando e agora traz os netos, diz um dos proprietários, Ronaldo Hortmann.
Albari RosaPara a professora de música Liana Costa, o chá é um ótimo acompanha-
mento para o bate-papo. Ao fundo, o salão de chá do Kafe Fest, no Solar do RosárioPelas mesas da confeitaria, podem se encontrar clientes que há décadas frequentam o local para tomar um chá. O escritor Dalton Trevisan é um destes personagens. Arredio à qualquer badalação, quase diariamente senta-se nas mesas do fundo e degusta chá com torradas. Se alguém o reconhece, ele - que já ralhou no meio da rua com fotógrafos que queriam capturar imagens suas - nega a identidade. Quem? Dalton Trevisan, eu? O senhor deve estar enganado!, costuma disparar para os desavisados - ou insistentes - quem ousam uma abordagem.
Outros frequentadores não se incomodam em falar sobre o hábito. O aposentado Hermes Silva, 62 anos, conta que desde os tempos de piazão frequentava a Schaffer. Há cerca de quinze anos, virou adepto do chá. Sento aqui e vou bebendo enquanto encontro velhos amigos, sintetiza.
A professora de música Liana Justus Costa, 50 anos, é outra fã incondicional do chá. De duas a três vezes por semana vai ao Kafe Fest. Venho para bater papo com os amigos e até mesmo para discutir algumas pautas de trabalho, explica. Segundo ela, o Kafe Fest tem um clima diferente. Por estar numa casa antiga, num ambiente ligado à cultura, o salão de chá tem uma atmosfera bem romântica.
Liana, que não toma café por considerá-lo muito forte, só não se conforma com um mistério que ainda não conseguiu descobrir. Aqui é servido um chá de laranja ótimo. Pena que a receita é segredo. A proprietária do Kafe Fest, Gertraud Guthoff, justifica: Está na família há muito tempo.
O Kafe Fest, com seu chá de laranja secreto, é um dos poucos que investe em sabores diferentes, assim como a casa Anna e Anna e o salão de chá do restaurante Chez Arnold. Nestes locais podem ser encontrados opções como maçã, pêssego, morango, camomila, hortelã, ervas doce e cidreira, flores silvestres e até boldo. Existem opções de café colonial ou chás a la carte.
Em salões como o da Schaffer, Confeitaria das Famílias, o que se encontra são os tradicionais chás pretos e poucas opções diferentes. Nos salões da cidade, um bule de chá acompanhado por torradas custa em média R$ 3,00. Ainda existem as opções de café colonial (na faixa dos R$ 10,00). De qualquer maneira, são boas opções para o prazer da hora do chá.


