A cesta básica de alimentos começou a pesar menos no bolso das famílias curitibanas e comprometer um percentual menor do salário mínimo. Os dois motivos principais que levaram a esta inversão de comportamento foram a redução do preço dos alimentos e o aumento do poder aquisitivo da população a partir do momento que o salário mínimo começou a ter aumentos reais, ou seja, reajustes acima dos índices de inflação.
  Só para ter uma idéia, em 1990, 96,71% do salário mínimo era gasto com a cesta de alimentos que inclui produtos como arroz, tomate, leite, óleo de soja, farinha de trigo, manteiga, arroz, pão, carne, café, banana, feijão, açúcar e batata. Em 2005, a cesta consumia 58,38% do mínimo e, no ano passado, o comprometimento do salário com alimentação caiu para 48,67%.
  O supervisor técnico do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), Cid Cordeiro, destaca que, no ano passado, a cesta básica teve queda de 5,05% em Curitiba. No outro viés, o salário mínimo aumentou 16,66% quando passou de R$ 300 para R$ 350. O ganho real do mínimo em 2006, descontando a inflação do período, foi de 11,5%. ‘‘Como a cesta de alimentos teve queda e o salário mínimo registrou aumento real, o poder de compra do mínimo teve um bom incremento’’, justifica. Vale lembrar que, em 2005, a cesta básica fechou o ano com aumento de 13,48% e consumiu 58,38% do salário mínimo.
  Em janeiro deste ano, a cesta manteve a tendência de queda com redução de 5,34%. No primeiro mês do ano, o comprometimento do mínimo com alimentação foi de 47,99%. Em janeiro do ano passado, o nível de comprometimento era de 58,97%.
  O economista do Dieese explica que a queda no preço dos alimentos ao longo de 2006 pode ser explicada por vários fatores. A queda do dólar trouxe impacto no preço dos alimentos no mercado interno. Os produtos que seguem cotações internacionais e que são commodities como óleo de soja, farinha de trigo, açúcar e café tiveram redução de preços em função do câmbio.
  Outros alimentos sofreram o impacto do aumento de oferta devido aos bons resultados da safra e ficaram mais baratos. Este cenário ocorreu para itens como feijão, batata e tomate. O preço de alguns itens – como a batata – chegou a ficar tão baixo, que produtores de Contenda (na região do município de Araucária) e de Guarapuava preferiram jogar no lixo.

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