Cerco aos ladrões de idéias
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terça-feira, 24 de junho de 2008
André Amorim<br> Equipe da Folha 
Plagiar algo é roubar a autoria intelectual do trabalho de outra pessoa, seja uma música, um poema ou mesmo um texto acadêmico. Com o advento da internet, (lá se vão mais de dez anos) muitos estudantes trocaram as pesadas enciclopédias por websites na hora de fazer suas pesquisas. Isso facilitou a vida dos alunos mas também complicou a dos professores, que muitas vezes se deparam com um trabalho copiado de alguma fonte virtual. Para os iniciados, a sigla Ctrl C + Ctrl V (copiar e colar), significa a possibilidade de ganhar nota sem nenhum esforço, reproduzindo letra por letra um texto encontrado na internet, sem a necessidade nem mesmo de lê-lo até o fim.
Para Maria Luiza Xavier Cordeiro, diretora de relações educacionais da Federação Nacional dos Estabelecimentos Particulares de Ensino (Fenepe), é preciso bom senso dos professores do ensino médio na hora de enfrentar uma situação como essa. Para que a pesquisa não seja um plágio, ela precisa ter a citação da fonte. Não acho que eles (os estudantes) estejam praticando um crime, estão fazendo aquilo que é mais fácil, acredita.
Na opinião da educadora, não é o caso de culpar a internet por essa prática. Tirar a internet é querer se enganar, eles (os jovens) trabalham melhor do que a gente com ela, só que tem o bom uso e o mau uso, avalia. Segundo ela, quando um aluno pratica o plágio, o professor encontra uma boa oportunidade de trabalhar a questão da honestidade. Educação não é dar zero, é trabalhar essa relação e trabalhar os bons exemplos, completa Cordeiro.
Quando o plágio está na esfera escolar e é usado para driblar um professor, a punição pode ser um puxão de orelha, uma nota ruim e a exigência de um novo trabalho. No entanto, quando essa prática acontece no mundo acadêmico, as sanções podem ser muito mais severas.
Há cerca de dois anos, o Ministério da Educação (MEC) vêm alertando os professores e coordenadores de cursos universitários para ficarem atentos aos trabalhos plagiados. O coordenador do Curso de Ciências Sociais da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Paulo Costa, diz que a prática não chega a ser um problema, pois foram poucos casos registrados até agora. No ano passado foram registrados três plágios de monografias praticados por alunos dos cursos de especialização (lato sensu) promovidos pelo departamento. Nos três casos a pessoa admitiu e saiu de fininho, daí não foi preciso entrar na esfera jurídica, conta. Nesses episódios, os alunos foram convidados a se retirar do curso. Caso os plagiadores não aceitassem esses termos, o caminho seria a abertura de sindicância para a apuração do ocorrido e aplicação das punições previstas no regimento da UFPR. Nesse caso as acusações seriam avaliadas à luz da legislação interna e externa à instituição.
Segundo Costa, da mesma forma que a internet facilita o plágio, também facilita a descoberta dele através da localização do trabalho plagiado. Quem faz isso são os ingênuos que acham que vão conseguir nos enganar, diz. Para combater essa prática, a estratégia de Costa é dar condições para que os alunos desenvolvam um bom trabalho sem precisar recorrer a essa prática. Como precaução, ele enviou um e-mail aos alunos das especializações alertando para os perigos de incorrer nesse crime.
Em cursos de mestrado e doutorado (stricto sensu) o plágio é muito mais grave e também mais fácil de ser descoberto pelo corpo docente, pois o estudante tem que defender seu trabalho perante uma banca de avaliadores.
Mais complicado do que o plágio, no entanto, é a compra de trabalhos acadêmicos. Nesse caso é mais difícil desmascarar o aluno desonesto, pois o que ele está apresentando ali é um trabalho inédito, que não pode ser rastreado pelos professores. Dessa forma é muito mais difícil provar a contravenção. Na opinião de Costa, a pessoa que recorre a qualquer uma dessas práticas está na verdade enganando a si próprio. É uma bobeira, pois ele está deixando de aprender. É um tiro no pé, avalia o coordenador.


