Cerco aos imigrantes ilegais assusta curitibano
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sábado, 28 de maio de 2005
Andréa Lombardo<br>Equipe da Folha 
Curitiba- ''Brasil é que país para se viver. Aqui é a sua casa. Aquilo lá é ilusão'', disse Maurício Giacomazzi, jogando um balde de água fria naqueles que sonham em viver nos Estados Unidos. O veterinário, 40 anos, morou durante um ano no país norte-americano, entre 2002 e 2003. Entrou legalmente para visitar uma feira de gado leiteiro, com visto de turismo e de negócios, e resolveu ficar por lá, mesmo depois de vencido o documento que legalizava sua permanência.
Giacomazzi conta que, na feira, conheceu donos de uma fazenda, em Arcadia, no Estado de Wisconsin, mais ao norte dos Estados Unidos, onde arrumou seu primeiro trabalho. O ambiente era ''familiar'' à profissão, apesar de ser responsável apenas pela ordenha das vacas. Quando chegou o inverno e as temperaturas de 30 graus negativos, ele foi dispensado, já que é um costume por lá manter apenas membros da família trabalhando, no período de muita neve.
Uns amigos que moravam na Flórida o convidaram para se mudar para lá, inclusive, com a promessa de já ter um emprego para ele, o que não era verdade. Giacomazzi então começou a sentir na pele as dificuldades de estar, ilegalmente, em um país. A iminência da guerra no Iraque, contou ele, acirrou o cerco aos imigrantes ilegais e o clima passou a ser de muito medo e insegurança, principalmente, em Miami, onde ele estava.
No entanto, nesse ponto, ele teve sorte: nunca foi flagrado. Por outro lado, sujeitou-se a trabalhar como pintor, pedreiro, servente em restaurantes e de instalador de janelas, sendo por, pelo menos, quatro vezes passado para trás pelos empregadores, que não o pagaram. ''Nunca dormi na rua, nem passei fome. Dá saudade da família, mas o pior é a sacanagem que fazem com a gente lá'', desabafou.
Uma de suas grandes frustrações foi de não ter dinheiro para entrar nos parques temáticos. ''Fui várias vezes a Orlando, passava na frente dos parques e não conheci nenhum'', disse. Conseguiu juntar dinheiro apenas para voltar para Curitiba, onde tem uma empresa de importação. Nem mesmo seu objetivo principal, que era aperfeiçoar o inglês, Giacomazzi conseguiu, pois não foi aceito na escola de línguas que procurou por estar com o visto vencido.


