Centro é o maior ponto de venda de drogas
''O Beto (prefeito Beto Richa) me diz que Curitiba, por ser o primo rico, tem a obrigação de ajudar''. O secretário Francischini, então, tem buscado conversar com os prefeitos da Região Metropolitana de Curitiba (RMC) - afirma já ter contatado os de Colombo, Pinhais, São José dos Pinhais e Tijucas do Sul - para implantar o seu sistema em outras cidades. Sobre o centro da capital, afirma que um estudo que fez comprovou ser o ponto de maior venda do tráfico de drogas. ''Mas na periferia é muito mais forte a relação com os homicídios.''
Enquanto Sítio Cercado, Uberaba, Cajuru e CIC são os locais que ficam logo na sequência do Centro em venda de drogas, eles são justamente os quatro primeiros em relação a homicídios. ''Na região central a venda é mais qualificada. É o ecstasy das boates, a cocaína e não só o crack.''
Francischini foi cedido pela PF e trouxe consigo uma equipe de peso. Como substituto, ele tem o delegado Ruben Fockin, há 33 anos na PF, e mais dois agentes da área de inteligência. A equipe da Secretaria Antidrogas Municipal totaliza 42 pessoas e conta com psicólogos, médicos, sociólogos e pedagogos.
Outra frase que marcou a chegada do secretário a Curitiba foi a de que acabaria com a cracolândia, o polígono do tráfico na região central da cidade. ''Funciona à luz do dia na cara da gente. Quando uma autoridade quer mostrar que está trabalhando, ela pega um ponto simbólico'', diz, pouco antes de fazer um anúncio. ''Você vai ter novidades muito em breve. Pode esperar. Estou certo que até o final do ano você vai voltar aqui para me ouvir falar do fim desta história'', afirma. ''É só esperar a minha rede de colaboradores funcionar. E não se coloca a credibilidade dessas operações todas se não se tem a certeza de que vai acontecer alguma coisa naquela região. Pode escrever'', diz, convicto.
''Acho que é possível que isso aconteça se a prefeitura fizer a parte dela. Se houver revitalização urbana e investimento. Pois se não acontecer isso, só a ação da polícia não basta. No centro há muitas áreas abandonadas que servem de moradia às pessoas de rua'', contrapõe o tenente-coronel Jorge Costa Filho, responsável pelo sistema de narcodenúncia da Polícia Militar. (R.U.)





