Central busca mais doadores de medula
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 17 de dezembro de 1997
Da Redação 
Aumentar o número de doadores de medula óssea no Paraná e também as possibilidades de encontrar doadores compatíveis para quem está na fila do transplante. Este é objetivo de uma campanha da Central de Transplantes do Paraná, da Secretaria da Saúde, em parceria com a Faculdade Espírita.
Os alunos da faculdade realizaram diversas atividades para divulgar a campanha, que vai beneficiar todos que precisam do transplante, distribuindo material com orientação sobre os procedimentos de um doador, como acontece o transplante - e promovendo palestras.
A participação dos alunos foi motivada pela vontade de ajudar a jovem Adriana Chella, aluna do 4º ano de Serviço Social. Aumentando as possibilidades da estudante, teremos mais chances de atender também outras pessoas que aguardam na fila por um doador compatível, avalia Cristina Von Glehn, coordenadora da Central de Transplantes.
Os estudantes foram sensibilizados pela situação da colega que, mesmo estando em condições estáveis hoje, logo precisará do transplante. Os estudantes querem aumentar as chances de encontrar um doador compatível com Adriana.
Mais chancesA coordenadora da Central de Transplantes do Paraná, Cristina Von Glehn, explica que a campanha não se limitará a ajudar a estudante. Aumentando as possibilidades da Adriana, teremos mais chances de atender também outras pessoas que aguardam na fila por um doador compatível, avalia.
Além disso, aumentam as chances de quem precisa de doação no País, já que o registro estadual de doadores é vinculado ao nacional.
Os doadores devem procurar, em Curitiba, o banco de sangue do Hemepar (Travessa João Prosdócimo, 145, fone 041-362-2030) ou a Faculdade Espírita (Rua Tobias de Macedo Júnior, 333, Bairro Santo Inácio, fone 041-335-1717). Em Maringá, o Laboratório de Imunogenética da Universidade Estadual (fone 044-261-4370).
Doador compatívelA principal dificuldade para a realização de um transplante de medula óssea é a localização de doador compatível. Há quatro tipos de transplante: autotransplante, através da retirada e reposição da medula após tratamento do paciente; com doador na família; com o uso de células do cordão umbilical - técnica experimental que vem sendo desenvolvida - ou de um doador que não seja da família mas tenha compatibilidade de tecidos.
Este último método exige investigação permanente para fazer a tipagem dos voluntários. É o mais difícil, porque as chances de localizar um doador compatível são muito pequenas. Por isso os registros de doadores precisam ser grandes. Mesmo entre parentes o índice de incompatibilidade é de cerca de 70%. Este trabalho de tipagem é desenvolvido pelo Banco de Dados de Medula Óssea do Paraná, em Maringá.
A doaçãoA doação é semelhante à de sangue. A medula óssea, explica o coordenador do Banco de Dados de Medula Óssea do Paraná, Ricardo Moliterno, é formada por células em constante renovação. Ou seja, um doador não vai ficar sem sua medula óssea, e pode doar mais de uma vez.
Ele vai doar algumas células do que conhecemos como tutano, que está dentro dos ossos. A doação de medula óssea não é a retirada da coluna vertebral, explica Moliterno, ressaltando que o esclarecimento é importante para que as pessoas percam o medo de doar, e que podem fazê-lo em vida. As células são colhidas dos ossos da bacia.
O coordenador explica que o que dificulta a descoberta de doador compatível é que a variabilidade dos tipos sanguíneos importantes para o transplante de medula óssea - o HLA de diferentes classes - é muito maior que os tipos mais conhecidos - A, B, AB e O. Não podemos esquecer que é uma questão genética e os genes são únicos em cada pessoa, diz.


