Cenas da cidade que 'não é mais'
Já sob o olhar do maior contista local, o escritor Dalton Trevisan, aparece a Curitiba ''onde o céu azul não é azul'', aquela das ''carrocinhas com as polacas de lenço colorido na cabeça'', ''das meninas de subúrbio pálidas'', ''dos Chás de Engenharia, onde as donzelas aprendem de tudo, menos a tomar chá'', ''das pensões familiares de estudantes'' e ''do cachorro-quente com chope duplo no Buraco do Tatu''.
Esta Curitiba, apresentada por Trevisan no texto Minha Cidade, publicado pela primeira vez na revista Joaquim em 1945, e revisado por ocasião do aniversário dos 300 anos da Capital, passando a chamar-se Em Busca de Curitiba Perdida, é a cidade que mais tarde, na década de 90, o autor reafirma que ''foi não é mais'', no texto Curitiba Revisitada. A Curitiba de Trevisan é ''a outra sem casas demais sem carros demais sem gente demais'' e ''ó Senhor sem chatos demais''. A cidade que o escritor abomina na década de 90 é a ''Curitiba oficial enjoadinha narcisista/ toda de acrílico azul para turista ver''. É através da obra de Trevisan que tem-se acesso à cidade vivida por seus moradores menos ilustres, aquela ignorada pelos discursos ufanistas e pelo marketing político. (D.R.)





