Cena incomum em outras partes do Estado, os cemitérios se multiplicam nas localidades rurais da região de Cantuquiriguaçu, onde ficam Marquinho e Porto Barreiro. Além de facilitarem a visita dos familiares, prestam espécie de homenagem àqueles que viveram e respeitaram a terra onde hoje repousam solenemente.
A distância, a imagem das cruzes camufla a tristeza. De perto, revelam tragédias comuns às famílias de pequenos agricultores. Sepulturas de recém-nascidos indicam que nem todos os pequeninos - muitos com menos de um ano - tiveram vida longa. Coroas de flores de latas reverberam o vento que sopra no campo aberto e o ruído metálico confere ainda mais melancolia.
Em visita ao jazigo do marido, Pedro Remechelo, 43 anos, morto dois meses atrás, a agricultora Ana Remechelo, 43, recorda que a família passava por um momento feliz, depois de 21 anos de trabalho. Ele havia realizado o sonho de comprar o próprio trator e comemorava a excelente safra de grãos quando foi vencido por um aneurisma cerebral mal diagnosticado. O corpo foi sepultado nas terras da família.
''É bem melhor do que se ele tivesse sido enterrado na cidade. Ele queria isso e, aqui, a gente pode visitar a hora que quiser'', comenta a agricultora. Os avós de Ana também estão sepultados no cemitério desde os anos 1950. ''Eles foram os primeiros a serem enterrados aqui'', conclui. Emocionada, ela acende algumas velas e ora em silêncio. (L.A.)

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