Matinhos - A natureza não foi generosa na extensão do litoral paranaense, pois o estado tem a segunda menor orla do País com 98 quilômetros, maior apenas que a do Piauí, com 66 quilômetros. Entretanto, como recompensa, a natureza estabeleceu que na curta faixa de ondas do Paraná se proliferasse surfistas campeões em grande escala. Matinhos é conhecida como celeiro do surfe nacional.
  O primeiro a perpetuar internacionalmente a praia paranaense foi Peterson Rosa. Ele cresceu surfando nas ondas de Matinhos e se tornou o único tricampeão brasileiro e em ondas pelo mundo levou vários títulos do WQS (World Qualifying Series), a elite do surfe.
  Peterson, que por 14 anos consecutivos competiu nos maiores campeonatos de surfe, inspira gerações. Entre os seguidores está uma das maiores estrelas do surfe mundial: o paranaense Jihad Kodr, nascido em Matinhos e que em novembro de 2008 conquistou o vice-campeonato mundial da última etapa do Reef Hawaiian Pro. No ranking, Jihad aparece na privilegiada quinta posição do WQS.

Novatos

  A lista de façanhas e de estrelas do surfe paranaense é extensa. Destaca-se ainda Pericles Demitre, o Pépe, 22 anos, que no fim do ano passado conquistou, em disputa com Peterson Rosa e outros renomados surfistas, o título de bicampeão do Circuito Estadual, se qualificando para correr no Supersurf, a primeira divisão do esporte. ‘‘Foi uma excelente temporada e Matinhos mostra que é a capital do surfe, porque mesmo tendo um litoral tão pequeno tem cinco títulos brasileiros, com três do Peterson e dois do Jihad’’, disse orgulhoso.
  O sorriso do rosto de Pépe só sai quando ele começa a fazer os cálculos para poder competir no circuito nacional. Diferente de Peterson e Jihad, que sobrevivem (e bem) com o surfe, Pépe precisa se desdobrar para continuar se aperfeiçoando nas ondas. Na lanchonete do pai, à beira-mar, Pépe atendia os clientes antes da chegada da reportagem. ‘‘Trabalho gerenciando aqui, ajudando o meu pai na temporada. Tem que trabalhar, porque depois vem o gasto com viagens, equipamento, é complicado sem patrocínio. O único que tenho é da prancha’’, explicou o surfista.
  Pépe entende que o Paraná tem potencial para ser ainda mais reconhecido no esporte. ‘‘Temos tudo, ondas boas, aqui, na Ilha do Mel, uma garotada que está chegando no Projeto Surf na Escola, mas falta incentivo. Tem muitas
empresas que poderiam investir no esporte’’, pontuou.
  Soma-se a Pépe, Peterson Rosa e Jihad, a surfista Bruna Schimtz que também brilhou no cenário nacional em 2008 e irá correr na elite nesse ano.
Além deles, Peterson Crisanto, 15 anos, que no Estadual,
entre as feras, surfou como gente grande. E no litoral paranaense, desde cedo se reconhece
quem irá brilhar no esporte, comprovando que para quem tem talento não importa o tamanho da praia.

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