Celeiro de atores
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quinta-feira, 18 de setembro de 2008
Rafael Urban<br>Equipe da Folha 
Cacá Rosset já está acostumado. ''Fiquei de cara'', ''Um bafo'' e ''Piá'' são expressões que escuta cotidianamente. Dos 25 atores, músicos e bailarinos de seu espetáculo mais recente, ''Megera Domada'', três são de Curitiba. Maureen Miranda, Chiris Gomes e Anderson Faganello formam o que ele chama de ''Bancada do barreado''. ''O Paraná é um celeiro de atores muito bons. E com uma formação técnica e intelectual'', diz. Rosset tem vindo ao Paraná com frequência, garimpando talentos entre os espetáculos locais no Fringe, durante o Festival de Curitiba.
Anderson Faganello, 34, atuava nas peças ''Morgue Story'' e ''Snuff Games'' quando o diretor paulista o encontrou. O curitibano está em São Paulo desde 2006, ano em que atuou em ''Marido vai à caça'', a primeira parceria entre os dois. ''Hoje desejo ficar em São Paulo. A cidade me oferece uma visibilidade grande, bastante público e atividade cultural.''
Na temporada paulista de ''Megera Domada'', que terminou recentemente, foram 45 mil espectadores. Faganello, que já fazia bastante sucesso em Curitiba, entende que falta para a Capital paranaense a cultura de ir ao teatro além da força da televisão, de atores que tragam público pela presença midiática televisiva.
Atualmente, segundo o Guia Boca a Boca, há 244 espetáculos em cartaz em São Paulo. Pouco menos do que o Festival de Curitiba apresentou na última edição (283). ''Tudo que é do Brasil inteiro passa por São Paulo'', comenta Renata Bruel, 29 anos, há dois em São Paulo. No começo, a atriz curitibana demorou a curtir a cidade e bateu bastante cabeça. ''Vim sem ter nada certo e fixo para fazer'', conta.
''Tem muito curitibano em São Paulo. Não é fácil ter de conhecer as pessoas, saber quem é legal e quem não é. Está todo mundo aqui apostando e querendo trabalhar.'' Sentido-se perdida entre cursinhos e testes para comerciais, ela acabou encontrando-se no Club Noir, companhia de Juliana Galdino.
Renata ainda não está totalmente adaptada ao barulho, ao trânsito e à sujeira nas ruas da capital paulista. E, a cada vez que retorna a Curitiba, sente que gosta muito daqui. ''Mas, por hora, não quero voltar. O teatro borbulha em São Paulo.''
Outra Renata, a Vendramin, também trocou Curitiba pela capital paulista há dois anos. ''Quando percebi, me vi em São Paulo cheia de possibilidades, mas sem nada concreto, sem saber o que fazer'', diz. Renata foi fazer um curso de interpretação para cinema e decidiu ficar. Dividida entre a sétima arte e o teatro, fez uma oficina de documentário e uma série de workshops, todos gratuitos, pois não podia pagar. Distribuiu currículos e fez testes para comerciais. Com cinema, participou de diversos curtas, mas até hoje, pelos filmes em que atuou, não ganhou um tostão.
Depois de ter sido reprovada por duas vezes, este ano passou no Núcleo Experimental do Sesi. Com teatro, também participa de um grupo de pesquisa ligado à Universidade de São Paulo (USP).
Renata, porém, ainda depende da ajuda financeira dos pais. ''Agora, depois de dois anos, estou começando a engatar coisas mais promissoras. A solidão, o trânsito entre outras dificuldades são o preço que, por enquanto, está valendo pagar.''


