Eles são jovens, famosos e estão influenciando uma geração de crianças e adolescentes praticamente sem sair do próprio quarto. Fenômenos da massificação da internet e do consequente acesso a tecnologias que permitem gerar e publicar conteúdos com dispositivos portáteis, os youtubers são a cara da cultura pop nesta segunda década do século 21. Londrina é berço – e palco – de representantes expressivos desta geração.
A cidade também acolhe celebridades da internet que vêm de fora para interagir com o público londrinense, em "espetáculos" que consistem em bate-papos e extensas sessões de fotos. A movimentação de youtubers em Londrina é obra da Risaria Entretenimento, de Nelson Gavetti, que viu neste movimento uma oportunidade de trazer para o plano real o sucesso virtual desta turma. Desde o início do ano, a empresa realiza eventos cheios de adolescentes que querem, principalmente, ver os ídolos de perto. A dinâmica é simples: ele faz uma pesquisa com o público para saber quais youtubers estão "bombando" e, na sequência, traz as "estrelas" para a cidade. Como não poderia deixar de ser, a divulgação é feita principalmente nas redes sociais, o local de convivência dos chamados "nativos digitais".
"Parte do sucesso dos youtubers está ligado à migração de toda uma geração de crianças e adolescentes que simplesmente ignoram as mídias tradicionais e consomem informação exclusivamente pela internet", explica André Azevedo da Fonseca, professor e pesquisador no Centro de Educação, Comunicação e Artes (Ceca) da Universidade Estadual de Londrina (UEL).
Ele lembra que essa geração aprendeu a ter uma relação diferente com os ídolos, que não são mais considerados pessoas extraordinárias e inacessíveis, mas pessoas comuns, porém populares. "No caso dos games, é importante lembrar que a indústria dos jogos já ultrapassou até a indústria do cinema em termos de lucratividade", destaca, lembrando que o Google aposta muito no YouTube e também está experimentando permanentemente novos modelos de negócio, como financiamento por fãs e conteúdo pago. "O momento é promissor", considera.
O próprio professor criou um canal para estudar o YouTube por dentro, experimentar formas de fazer divulgação científica e compartilhar as descobertas com os alunos de Jornalismo e Relações Públicas na UEL. "Tem sido uma experiência muito interessante, que me conscientizou sobre a importância de pesquisadores empregarem as tecnologias para ampliar a difusão de saberes científicos na sociedade, em todos os campos do conhecimento."

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