Celebridades dão nomes às ruas e avenidas de Londrina
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sábado, 09 de outubro de 2004
Fernando Rocha Faroe Fábio Galão<br> Reportagem Local 
O que os jornalistas Roberto Marinho e Tim Lopes, o líder pacifista Mahatma Gandhi e o diplomata Sérgio Vieira de Mello têm em comum? E o que as personalidades citadas têm a ver com Londrina? A resposta está na tomada de decisão e atuação dos vereadores, que no ano passado aprovaram projetos de lei batizando ruas com nomes famosos no País e no mundo. As homenagens seguem a Lei Municipal 7.631, de 30 de dezembro de 1998, que normatiza a nomenclatura de ''bairros, loteamentos, vias, praças, logradouros públicos.''
Porém, a legislação determina que a preferência seja dada aos nomes de evocação cívica e cultural e os evocativos locais. Para ''justificar'' as homenagens, a Câmara Municipal publica desde 1995 um livro com as biografias das pessoas que emprestam seus nomes às ruas e avenidas de Londrina. A falta de critério na definição de homenagens, entretanto, tem gerado polêmica. Um exemplo recente foi a briga dos moradores para manter o nome da Avenida Ayrton Senna, prolongamento da Avenida Maringá (Zona Oeste).
O Conjunto Vivi Xavier (Zona Norte) é uma região que tornou-se célebre por possuir ruas com nomes de cantores e compositores famosos como Elis Regina, John Lennon, Nara Leão, Ary Barroso e Elvis Presley. Todos nomes conhecidos, mas sem nenhuma relação com Londrina.
A auxiliar de enfermagem Alexandra Almeida, 29 anos, mora no Vivi Xavier há 24 anos. Ela reside na Rua Leila Diniz e diz que para ela isso é motivo de orgulho. ''Foi uma cantora muito famosa, né? Tanto que até hoje tem gente que grava músicas dela. Foi uma mulher bonita e de personalidade forte'', explica a moradora, complementando que ''uma vez ela foi à praia grávida, de biquíni, causando uma grande polêmica''. ''Minha mãe sempre me dizia que nasci no ano em que a Leila Diniz morreu'', comenta a dona de casa, Sônia dos Santos Ribeiro, que nasceu em 1963.
Apenas algumas correções: Leila Diniz era atriz e não cantora. Na verdade, morreu em 1972, num acidente de avião. O episódio do biquíni realmente aconteceu no Rio de Janeiro e foi um escândalo à época. Leila tornou-se conhecida pelas opiniões fortes e pela forma pouco discreta como falava sobre seus hábitos sexuais. Uma edição do Pasquim de 1969 que trazia uma entrevista com a atriz (que na ocasião não economizou palavrões) foi a mais vendida da história do periódico.
A dona de casa Maria Zilma Ramos da Silva, 43, que mora na Rua John Lennon, afirma que não vê problema no fato de celebridades que não participaram da história de Londrina serem homenageadas com nomes de rua. ''No caso do John Lennon, ele merece, não é?'', diz ela. Maria Zilma conhece pouco dos Beatles, mas guarda uma fita da banda com orgulho. ''Meu cantor favorito mesmo é o Roberto Carlos'', afirma.
A aposentada Laíde Caldeira Mendes, 60, há cerca de oito anos mora na Rua Ary Barroso. O compositor mineiro se consagrou no Rio de Janeiro com o sucesso ''Aquarela do Brasil'' e morreu nos anos 60. ''Não tenho a menor idéia de quem foi ele'', diz aos risos dona Laíde. ''Na hora de homenagear, acho que tem que levar em conta se a pessoa foi pioneira no município. Mas gente importante de outras cidades também merece respeito''.


