A equoterapia abriu novos horizontes para muitos deficientes. Quando nasceu, Mauro Cunha, 28 anos, sofreu uma cranioestenose (achatamento do crânio) que lhe causou limitações físicas e deficiência mental. Há cinco anos praticando a terapia com cavalos na Sociedade Hípica, teve uma melhora surpreendente. ‘‘Ele tinha problemas de coordenação motora e uma grande dificuldade para andar’’, lembra a fisioterapeuta Priscila Moletta. ‘‘Hoje, caminha muito melhor e tem uma postura mais correta’’.
O relacionamento com o cavalo também serviu para desenvolver o lado emocional e social do paciente. ‘‘Antes, ele não falava comigo e não obedecia quando eu pedia para que realizasse algum exercício. Agora chega conversando e procura se comunicar com outros alunos’’. A mãe de Mauro, Zeila Cunha, confirma os resultados. ‘‘A melhora foi incrível, não só no lado físico como no de desenvolver a sociabilidade dele. O Mauro agora conversa mais com as outras pessoas e demonstra muito mais carinho’’, explica. ‘‘Ele já havia feito fisioterapia convencional e outras atividades como a natação, mas sempre chegava num ponto que queria parar. Com a equoterapia foi diferente: ele adora e não quer desistir’’.
Andréa Wilke, de 7 anos, portadora de altismo, há um ano pratica a equoterapia e também teve um grande desenvolvimento com esta técnica. ‘‘Nas primeiras aulas, ela parecia não se interessar pelo cavalo’’, conta a equoterapeuta. ‘‘Começei o trabalho, então, levando ela até a cocheira para juntas buscarmos e prepararmos o animal. Pensei que iria ser um processo demorado, mas em quinze dias ela estava em cima do cavalo. Na segunda aula em que estava montando, me fez descer para cavalgar sozinha’’.
Iracilda Wilke, mãe de Andréa, espantou-se com o progresso. ‘‘Pelas dificuldades dela, fiquei realmente surpresa’’, comenta. ‘‘Não esperava tanta rapidez. E o que é melhor: ela gosta muito desta atividade e vem apresentando uma grande melhora principalmente no seu equilíbrio’’. A auto-estima e independência dos pacientes também é estimulada. ‘‘Adultos e crianças deficientes passam a vida toda dependendo da família. Aqui, desenvolvemos o conceito de que os cavalos precisam deles. Um recurso para conseguir isso, por exemplo, é fazer com que os alunos ajudem a alimentar os animais’’.

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