Casos
Martinon, Ivan,
Gaiotto, Chico,
Jerê na memória
Jota Oliveira
Quem trabalha mais de trinta anos em uma empresa vê muita gente chegar e partir. Quando perco o sono, costumo contar nos dedos nomes de pessoas e de coisas. Já me lembrei de mais de duzentas pessoas que trabalharam nos vários setores da Redação - dos ‘‘boys’’ a secretárias, passando por repórteres e fotógrafos. Alguns, infelizmente, foram embora pra muito longe: Daniel Martinon, fotógrafo; Chico Resende, fotógrafo; Cláudia Neves, fotógrafa; Edson Vicente, o Jerê, repórter; Pedro Vergara e Hugo Seben, repórteres; Ivan Bittencourt, Laurindo Rubira, Giovanni Galletto, Vilmar Dessunti e Paulo Demario, gerentes de sucursal; Ângelo Gaiotto, repórter; Adilson Mussi, repórter. Nenhum morreu em serviço.
Desconfiômetro
deve ser arma
de jornalista
Sem estar de antena ligada, sempre com um pé atrás, não se consegue ser repórter. Por isso não acredito em bruxas. Adilson Mussi, que chamei para trabalhar na Folha, veio para o Regional, mas logo ficou só na reportagem policial. Carrapicho (repórter policial) precisa ser mais desconfiado ainda, mas Adilson deu bobeira. Ele tinha um problema cardíaco, ia ser operado pelo Dr. Zerbini, um mestre).
Mas, Adilson preferiu ‘‘Marinheiro’’, em quem baixava o espírito de um Dr. Fritz que fazia operações espirituais. O jornalista foi ‘‘operado’’ em São José do Rio Preto ou Ribeirão Preto, não me lembro bem. Parecia bom. Em poucos dias voltou a trabalhar e ter vida normal de solteiro. Não demorou, foi para a casa dos parentes, em uma daquelas cidades, e não voltou. Passados dias, e pressionado pelo Walmor, procurei Adilson em todo canto, até que alguém me informou, em Ribeirão Preto ou São José do Rio Preto: ‘‘Adilson? morreu do coração.’’
Fonte seca e,
para compensar,
ponte sem rio
Wagno Barra Rosa e eu fomos cobrir o aniversário de um município do Norte do Paraná. Do programa consta a inauguração da fonte luminosa da cidade. Qando nós chegamos, um, digamos, etilista (não confundir com estilista) confunde Wagno, que tem um bigodão, com o deputado federal José Richa, que nunca usou bigode. Na praça da matriz, já no começo da noite, inaugura-se a fonte luminosa. As luzes são acesas, mas água necas - a cidade ainda não tem água encanada.
Em outro município, o prefeito manda construir uma ponte. Alta, de concreto, inacessível. A ponte está na cidade; a cidade não tem rio. Um elefante-branco. Melhor dizendo: uma ponte branca, vista de longe, sem servir pra nada. Por falar em elefante-branco: um colega vai a certa cidade, cobrir a inauguração de uma obra. O jornalista é um dos ‘‘viajantes’’ do jornal, descobrindo e cobrindo notícias por aí. O prefeito dá-lhe a palavra. O jornalista, mais acostumado a ouvir do que a falar em público, comete justiceiro ato-falho: ‘‘Ao inaugurar este verdadeiro elefante-branco...’’. Branco mesmo fica o prefeito, ao se ver exposto. De fato, a obra é um bicho desses.

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