CASO AMANDA - 'Vivo numa tortura diária', afirma pai
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sábado, 26 de abril de 2008
Luciano Augusto<br>Reportagem Local 
Cada vez que o telefone toca, a família de Amanda Rossi atende esperando que seja a polícia com a notícia que eles aguardam há seis meses: que o assassino foi identificado e preso. Mas cada frustração faz só aumentar o martírio dos familiares, lamentou o comerciante Luis Rossi, que ainda precisa lidar com a pressão de muitas pessoas que se acham no direito de cobrar dele uma solução para o crime, mesmo depois de todas as manifestações que ele organizou.
Emocionado, o pai da estudante relatou o desespero que todos permanecem desde que o corpo da jovem foi encontrado. Ele não consegue encontrar ânimo para tocar a loja de presentes que possui em um shopping popular da cidade. Sai de casa para fugir dos pensamentos negativos e da saudade da filha mais velha. Na volta, a dor inunda novamente seu coração.
''Fisicamente, a Amanda faz uma falta terrível, é uma tortura, e se fico em casa só penso nisso. Espiritualmente não, porque nos dá força e sei que ela quer que eu continue nesta luta.'' Luta que ele garante que terá um fim: ''não tenho dúvida disso, esse crime não deveria ter acontecido. A Amanda não era uma pessoa ruim, não usava drogas e não tinha inimizade com ninguém.''
Luis disse também que a morte da filha abalou profundamente a esposa, Maria Francisca. Desde o crime ela não dorme direito e passou a tomar medicamentos.
A filha caçula, Isadora, ainda não conseguiu se recuperar da tragédia. ''Ela arrumou um emprego, foi dois dias e não conseguiu ir mais. Ela terminou o segundo grau e este ano nem está em condições de estudar. Acho que vai ter de procurar um médico também'', lamentou o comerciante.
Não bastassem as dificuldades em família, quando sai na rua Luis ainda precisa aguentar pressões das pessoas. ''É uma cobrança muito grande na minha cabeça. Todo mundo quer justiça, saber se tem novidade. Tem gente que já falou até que eu tinha feito um acerto com alguém para ficar quieto'', reclamou.
Só para lembrar aos críticos, o comerciante já fez e participou de diversas manifestações cobrando punição para o culpado. Hoje, inclusive, haverá uma missa às 10h30 na Catedral Metropolitana. Em seguida, os participantes farão uma passeata pelo Calçadão.


