Quando a estudante universitária Amanda Rossi, 22 anos, entrou na casa de máquinas da piscina do campus da Unopar no Jardim Piza (Zona Sul de Londrina), na noite de 27 de outubro do ano passado, foi imediatamente atacada pela pessoa que a matou. Mas antes de morrer - ao ser golpeada no rosto - o sangue da jovem marcou o assassino (ou assassina).
A revelação foi feita com exclusividade à FOLHA pelo Instituto de Criminalística (IC). Mas a informação parece não ter ajudado em nada a Polícia Civil que, seis meses após o assassinato, não conseguiu esclarecer a autoria do crime.
Conforme apuração da PC, Amanda estava no campus da Unopar participando do 2º Festival Unaero Hip Hop de Londrina, que acontecia no Ginásio de Esportes naquele sábado. Às 20h45, as câmeras de segurança de dentro do prédio gravaram a estudante conversando com uma amiga. As duas saíram de cena e Amanda não foi mais vista. Cerca de 15 minutos depois, a amiga que a acompanhava voltou a ser filmada, mas apareceu sozinha. A câmera externa não funcionava no dia.
Depois do evento, a universitária deveria ir a uma festa na casa de amigos do segundo ano do curso de Educação Física. Como não apareceu, a família dela foi comunicada do desaparecimento. Dias após o crime, os pais reclamaram que não puderam registrar queixa naquela noite porque não fazia 24 horas que a garota havia desaparecido.
No domingo de manhã, familiares foram até a Unopar procurar pela estudante, mas nada encontraram. Na segunda-feira pela manhã, dois dias após o crime, um funcionário da instituição encontrou o corpo na sala de máquinas da piscina, um local que estaria sendo usado para encontros amorosos entre estudantes. Uma das linhas de investigação apura justamente se o crime foi cometido por motivos passionais.
De acordo com o perito Luciano Bucharles, responsável pelo estudo da cena do crime, Amanda foi golpeada no rosto logo ao entrar no local, mas o ferimento não provocou a morte. O sangue da jovem espirrou e atingiu as máquinas e também as roupas do agressor. Ela caiu de frente para a porta e foi asfixiada até a morte.
Em seguida, o autor do crime fugiu levando, provavelmente, a bolsa e o telefone celular da vítima, que não foram localizados. Embora as fontes neguem oficialmente, a FOLHA apurou que o criminoso, ou criminosa, deixou pelo menos duas pegadas no chão.
Mesmo diante destas evidências, a polícia não requisitou nenhum mandado de busca e apreensão contra eventuais suspeitos. O atual delegado da Divisão de Homicídios da 10 Subdivisão Policial, Ernandez Alves, que assumiu a função há poucas semanas e ainda está se inteirando do crime, garantiu que ''na cena do crime nada foi encontrado'' de relevante.
Não havia impressões digitais nem sinais no corpo da vítima que pudessem ser usados para confronto; o fio de cabelo encontrado era da própria estudante; não eram de Amanda os restos de pêlos encontrados num pedaço de ferro recolhido nas proximidades do local.®MDRV¯®MDNM¯
O ex-delegado encarregado do caso, Joaquim de Melo, não quis se pronunciar sobre isso, mas afirmou que repassou todas as suspeitas e informações para o colega.
Ernandez Alves comentou que as circunstâncias apontam que Amanda pode ter sido morta por alguém de seu círculo de amizades, mas a dificuldade para comprovar essa tese residiria ''justamente na quantidade de pessoas envolvidas no local do crime, em torno de 300 pessoas, na quantidade de amigos que ela tinha e na falta de vestígios materiais''.
Por outro lado, assegurou que as investigações não pararam. Ele adiantou que nos próximos dias poderá reconvocar algumas das quase cem testemunhas ouvidas e outras ainda podem ser chamadas para depor.
''Não queremos direcionar, pensar ou atribuir valores a determinadas provas para não prejudicar o caso ou cair em algum erro por precipitação. Temos de ter indícios, detalhes e provas que possam servir de subsídios para aprofundarmos as investigações e pedirmos um indiciamento'', concluiu.

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