No Jardim Marissol, zona leste de Londrina, funciona há três anos uma empresa que dá destinação ambientalmente correta a um dos produtos mais negligenciados em nosso dia a dia: o isopor. Em um barracão de 200 m2, próximo à BR-369, a Isonorte processa mensalmente 7,5 toneladas de isopor. Isso corresponde ao volume transportado por 75 caminhões que, sem reciclagem, estaria poluindo rios, lagos, fundos de vale ou diminuindo a vida útil de aterros.
"Enxergamos um nicho de mercado e decidimos investir", conta o empresário Fernando Abreu, que se associou ao irmão Márcio no empreendimento. O investimento inicial foi de R$ 50 mil, valor de uma máquina extrusora de isopor. Há também os custos operacionais, como aluguel do barracão, pagamento de dois funcionários, energia e frete. O faturamento anual, afirma Abreu, é de cerca de R$ 350 mil.
A matéria prima da Isonorte vem de três fontes: cooperativas de reciclagem, para as quais a empresa paga R$ 0,07 o quilo do produto prensado; de empresas que lidam com isopor, principalmente construtoras, que pagam para que retalhos de isopor utilizados em edifícios tenham destinação adequada; e de penitenciárias, casa de custódia e centro de ressocialização de Londrina, de onde chegam as embalagens dos cinco mil marmitex diários consumidos pelos detentos.
A extrusora funciona como um moedor de carne. A "boca" da máquina, na parte de cima, "engole" os diferentes tipos de isopor que, processados, saem pela parte de baixo em forma de tarugos. Esse material é quebrado e embalado em bags de até 400 quilos. E vendido, a R$ 1,20 o quilo, diretamente a uma empresa catarinense que fabrica rodapés, rodatetos e molduras para quadros.
A atividade da Isonorte, avalia Fernando Abreu, tem duplo valor ambiental. "Além de retirar do ambiente 2.250 metros cúbicos de isopor por mês, o processo industrial não gera qualquer resíduo", explica. "Antes da nossa empresa, todo esse volume de isopor era enterrado no aterro, que não é a melhor destinação para esse tipo de material", ele acrescenta. "Ou ficava no ambiente, poluindo, que é pior ainda."
Além do EPS, o poliestireno expandido, que é o tipo de isopor mais conhecido, a Isonorte está licenciada para processar PU, o poliuretano.Porém, segundo Fernando Abreu, muitas empresas que trabalham com PU preferem pagar para que ele seja aterrado do que gastar um pouco mais para que tenha um tratamento mais adequado. "A lei não proíbe que o PU vá para aterros", afirma o empresário. "Entra aí mais uma questão de consciência de quem lida com esse produto."

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