Quem passa atualmente pela Vila Nova, Área Central de Londrina, pode sentir-se em uma pequena cidade do interior, apesar de estar perto do movimentado Centro da cidade. A atmosfera das décadas passadas é mantida por persistência de moradores que, apesar do assédio de especuladores imobiliários, mantêm a tradição das casas antigas, muitas ainda de madeira, e seus quintais e jardins. ''O povo aqui é muito conservador. Há muito dessa consciência de não querer vender as casas por ser herança de família'', opina o aposentado Aristonaldo Barboza, 67 anos.
Para Barboza, mesmo com a tranquilidade das cidades interioranas, a Vila Nova possui vantagens encontradas somente nos grandes centros. Por exemplo, o bairro tem bancos, supermercados e um comércio forte, em especial na Rua Araguaia. Um dos bares da Vila Nova pertence ao aposentado Antonio Favareto, 75, que mora na região desde 1939. O estabelecimento - atualmente arrendado - foi o ganha-pão de Favareto por cinco ou seis anos. Da época, ele relembra a falta de estrutura do bairro.
''No início era só terra. Eu mesmo trabalhei na roça'', recorda Favareto, observando o intenso movimento de carros e pedestres da rua Araguaia, a menos de cinquenta metros da casa onde vive desde a década de 1940. O trabalho no campo teve fim somente quando o pai comprou o pequeno armazém de secos e molhados. A especialidade, segundo ele, era a variedade de produtos: ''Arroz, feijão. Tinha de tudo. O movimento era do pessoal do bairro mesmo'', destaca.
A exemplo de outros bairros, a maior preocupação dos habitantes da Vila Nova é a segurança. De acordo com o presidente da Associação de Moradores do bairro, Manoel Granado Ramirez, a entidade criou este mês um conselho para tratar do tema. ''Tem vários assaltos. A situação tinha melhorado um pouco, mas piorou de novo'', avalia Ramirez. Também integrante da associação, Barboza acredita que a Vila Nova permanece como um lugar tranquilo. ''Comparado com outas regiões da cidade, aqui é um lugar seguro'', declara.
Alguns moradores podem ser considerados símbolos da história do bairro. O carpinteiro aposentado Antonio Miato, 80, é um exemplo. Ele trabalhou na construção da Capela do bairro, em 1957, e de várias casas de madeira na região. ''Não sei quantas, mas fiz muitas casas aqui na vila'', afirma.
Segundo os moradores, o nome foi escolhido por ser a segunda vila da cidade, criada com o crescimento da pioneira e vizinha Vila Casoni. Atualmente, a Associação dos Moradores está na luta por melhorias na infra-estrutura no bairro, que abriga 10 mil moradores. Eles pretendem ampliar o Centro Comunitário e abrir uma avenida para melhorar o acesso ao local.

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