CASAMENTOS - Eles procuram para você
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terça-feira, 12 de maio de 2009
Omar Godoy<br> Equipe da Folha 
Todos os dias, dezenas de homens e mulheres passam discretamente por uma certa casa no Alto XV. Trata-se de um espaço comercial, mas não há qualquer tipo de placa ou letreiro indicativo. Lá dentro, a decoração simples, um tanto antiquada, reforça a impressão de sobriedade. Tudo em nome da segurança, palavra-chave de um negócio que já dura 14 anos.
Ali, funciona o quartel general da mais conhecida agência de casamentos de Curitiba. Existem pelo menos outras quatro na cidade, porém nenhuma com tantos clientes. São cerca de mil cadastrados, que pagam uma taxa anual para incluir seu perfil no banco de dados de Sheila Rigler, uma pedagoga que deixou o serviço público para se tornar a casamenteira número um do pedaço.
Sheila garante que a Par Ideal - nome fantasia da SRC Relações Humanas - já intermediou 1.300 uniões. Para engrossar essa lista de finais felizes, os clientes devem desembolsar R$ 1 mil por ano (ou até R$ 1.300, em caso de parcelamento). Um valor, convenhamos, proibitivo mesmo para a classe média "mais média".
A proposta é mesmo selecionar os melhores partidos das redondezas. E não só delas. Há muitos cadastrados de outros Estados, dispostos a se mudar de cidade para viver com alguém do Sul do País (na visão deles, gente de um nível melhor, sejá lá o que isso quer dizer).
Os separados e divorciados compõem 47% do total de clientes, seguidos pelos solteiros (45%) e viúvos (8%). A porcentagem de pessoas com nível superior chega a 95%. Advogados, médicos e profissionais liberais em geral formam o grosso da freguesia. Indivíduos que aparentemente priorizaram a vida profissional, e agora correm atrás dos prejuízos afetivos.
Mulheres de 30 a 45 anos, que nunca se casaram, são o fenômeno do momento na agência. Muitas delas cursaram pós-graduação e mestrado, inclusive no exterior. Ou seja: contrariam a ideia preconcebida sobre quem procura esse tipo de serviço - figuras isoladas, amarguradas, etc.
Não que o banco de dados de Sheila seja um desfile de beleza e inteligência. No entanto, é impossível não se surpreender com o perfil dos candidatos. Mas então por que terceirizar um processo que, teoricamente, eles mesmos são capazes de administrar? Seria mais um reflexo de um mundo onde tudo se compra, tudo é mercadoria?
Para entender esse universo, a reportagem da FOLHA fez uma imersão de uma semana no QG do Alto da XV. Nos textos a seguir, você acompanha, passo a passo, a receita de um casamento mediado. E também histórias de quem está, ou já esteve, em busca de sua outra metade. Porque, na pior das hipóteses, há sempre um chinelo velho para um pé cansado.


