CASAMENTOS - A regra é clara
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terça-feira, 07 de abril de 2009
Flora Guedes<br>Equipe da Folha 
Um pouco mais de um ano após a Arquidiocese de Curitiba estabelecer as ''Normas para a Digna Celebração do Sacramento do Matrimônio'', reunidas numa cartilha, em janeiro do ano passado, elas ainda provocam polêmica. De um lado, as noivas ainda ficam emburradas porque não podem casar ladeadas por uma dezena de padrinhos. Os cerimoniais se dizem ''perseguidos'' pelos padres que não permitem os profissionais atuarem dentro de algumas igrejas, que possuem cerimonial próprio. Proíbem mesmo aqueles cerimonialistas credenciados, que passaram pelo curso de atualização das normas feito pela Cúria Metropolitana.
E do outro lado, as paróquias reclamam da quebra-de-braço com as noivas que insistem em ter muitos padrinhos e músicas românticas melosas - ''tema dos tempos de namoro'' - durante a cerimônia religiosa. Só é aceita música sacra ou clássica. Já os cerimoniais próprios, defendem as igrejas, garantem a celebração do sacramento sem interferências de firulas sociais e abusos dos cerimoniais e dos noivos. Mas parece que algumas paróquias também perderam a mão com as mudanças e passaram ''a exigir demais''e além daquilo estipulado pela Arquidocese.
Tanto que, no último dia 2, durante reunião geral do clero, o arcebispo metropolitano de Curitiba, Moacyr José Vitti, determinou que as normas fossem cumpridas pelas paróquias, depois de receber muitas reclamações sobre essas ''exigências'', segundo padre Gilson César Camargo. ''As normas foram criadas para salvaguardar e regular a celebração digna e santa do sacramento do matrimônio, evitando que o casamento vire uma negociata por parte dos cerimoniais e também das paróquias, que podem cair nessa tentação'', explica ele, um dos responsáveis pela elaboração da cartilha.
Segundo o religioso, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil também compartilha dessa preocupação, que levou outra cidade, Fortaleza (CE), a criar normas para celebração do matrimônio. Em Curitiba, as regras levaram dois anos para serem elaboradas, aprovadas em assembléia do clero e sancionadas pelo arcebispo. ''Pelas normas, a igreja não pode ter cerimonial, deve fazer apenas o sacramento. Caso contrário, não haveria razão em participar do curso de reciclagem e receber uma credencial para depois os padres proíbirem a gente de entrar na igreja'', critica a cerimonialista Cléia Mello.
''Tem igreja que obriga os noivos a pegarem o cerimonial delas. Veja que se a gente não puder trabalhar na paróquia, os noivos não nos contratam. No curso aprendemos a nos adequar às normas para atuar lá dentro, evitando conversas entre a equipe, atrasos, a não caminhar no altar. Reduziu muita coisa, mas garantiu que podemos trabalhar em paz'', disse Cléia Mello, contando que não obteve permissão para fazer o cerimonial do casamento da agente de compras Tássia Cardoso, na Igreja de São Pedro de Umbará, com data marcada para o mês de outubro deste ano.
Além disso, segundo Tássia, a igreja a obrigou a contratar músicos e floriculturas indicadas pela paróquia. ''Só que a mais barata das floriculturas cobrava 2,3 mil pela decoração com copos-de-leite. Pesquisando, encontrei uma que fazia a mesma decoração por R$ 1,6 mil. O músico para tocar a Marcha Nupcial eu consegui um por R$ 190,00, enquanto que o indicado pela igreja custava R$ 420,00'', compara Tássia Cardoso.
''Se eu quisesse contratar outra floricultura ou músico fora da lista, teria que pagar multa de R$ 150,00, por cada prestador de serviço matrimonial. Se não concordasse, disseram para eu procurar outra igreja'', conta ela.''Não achei isso justo. Por isso desisti de casar na igreja, onde toda família do meu noivo já se casou. Optei por casar num salão de festas e contratar um 'juiz de paz' para fazer a cerimônia. Não foi fácil tomar essa decisão. Vamos gastar R$ 16 mil e não teremos o nosso sonho realizado de casar na igreja'', lamenta Tássia.


