Casal adota filosofia para viver só de luz
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domingo, 03 de dezembro de 2006
Marta Ortega<br>Reportagem Local 
Para que comer? Para que dormir? Por que necessitamos fazer isso repetidamente, dia após dia? Qual a necessidade de se ingerir tantos alimentos? O que o nosso organismo absorve de tudo isso? Respostas a questionamentos como estes seriam facilmente dadas por médicos e nutricionistas, que abordariam a necessidade que o organismo tem de se alimentar para funcionar bem.
Mas esta explicação nunca satisfez Nazilda de Oliveira Manchini, hoje com 60 anos. Inquieta desde a juventude, esta dona de casa sempre buscou sentido para tudo na vida e considera que, além da Gnose (sabedoria que estuda o conhecimento, embasada na ciência, filosofia, arte e mística) encontrou a resposta para tantas perguntas em 2003, quando decidiu parar de se alimentar e viver apenas de luz, através de uma reprogramação do organismo (processo com duração de 21 dias, com os sete primeiros dias, totalmente em jejum).
Para muitos pode parecer estranho, mas Nazilda afirma que não come há três anos (ou pelo menos come bem menos que antes), e que se alimenta da luz solar, suficiente para fornecer energia necessária para sua sobrevivência. Junto dela, outros seguidores, entre eles o marido, Odácio Manchini, de 74 anos, aposentado, que também afirma ter deixado de se alimentar normalmente há três anos.
Os dois vivem numa chácara, próximo a Londrina, onde mantém um spa com atendimento para emagrecimento e para pessoas interessadas em passar pelo processo de viver de luz. Não somos radicais. Se tivermos vontade tomamos suco, comemos frutas, verduras e de vez em quando, um arroz integral, afirma Nazilda, que recebe clientes no spa e precisa cozinhar para eles. Faço a comida normalmente e não sinto vontade nenhuma de comer.
Para Odácio Manchini, o alimento danifica o organismo. Comemos por uma carência emocional. Quando suprimos essa carência descobrimos que não precisamos mais de alimentação. Passamos a viver de informação, do conhecimento. O viver de luz é um processo para descobrir quem você é e de onde vem.
Ele iniciou o processo logo depois da mulher e já passou pelos sete dias de jejum total cinco vezes, enquanto Nazilda já repetiu o processo dos sete dias, três vezes. Durante o processo completo (de 21 dias), Odácio emagreceu mais de 20 quilos e garante se sentir muito melhor. Os sentidos ficam mais apurados. Você se sente melhor. Rejuvenesce.
A iniciativa de não se alimentar mais aconteceu depois do casal assistir a uma palestra da escritora Evelyn Torrence, uma brasileira, que vive na Flórida (Estados Unidos), principal divulgadora do processo de viver de luz no Brasil. Ela esteve no País em 2003 e estendeu a visita a Londrina a pedido do casal e de outras pessoas interessadas em conhecer o processo.
Reprogramação - Para deixar de se alimentar é preciso fazer uma reprogramação do organismo. O processo consiste em atrofiar o sistema digestivo e ativar as glândulas pineal (responsável pela produção do neurohormônio melatonina, regulador do sono) e pituitária (ou hipófise - glândula mestra do sistema nervoso) para conseguir a nutrição por meio da respiração e do ato de olhar para o sol.
A reprogramação orgânica aconteceria no DNA e é feita em um período de 21 dias, baseado no livro Viver de Luz, onde a autora australiana Jasmuheen, afirma estar há seis anos sem se alimentar. O livro ensina como se preparar para iniciar e passar por todo o processo.
A recomendação é que somente as pessoas muito conscientes devem fazer isso, já que não se trata de dieta, modismo ou estilo de vida e sim de uma reprogramação orgânica. Na primeira semana não dormi. Ficava andando de um lado para o outro da casa. Não sentia fome, mas sentia muita sede. Com esforço venci a primeira semana. Depois foi mais fácil e não voltei a me alimentar mais, afirma Nazilda, contando que emagreceu sete quilos durante o processo.
Segundo Nazilda, o processo de viver de luz apura todos os sentidos. Passei a ver as coisas da natureza com um brilho mais intenso. Com o processo, todos os sentidos ficam mais apu-rados, conta Nazilda, que buscou um isolamento na chácara onde vive com o marido.
Na casa de Nazilda, a dispensa fica vazia. Alimentos apenas para os clientes que buscam atendimento no spa. Na cozinha, poucas frutas e legumes. Para nós a economia nas compras é de 70%, sem contar que não preciso mais cozinhar. Para Nazilda e o marido, viver de luz é uma forma de aproximação com Deus e com a natureza. A reportagem tentou vários contatos com Evelyn Torrence, mas não obteve retorno.


