Casados com (o) luxo
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segunda-feira, 30 de março de 2009
Flora Guedes<br> Equipe da Folha 
Enquanto o mundo se adapta aos reflexos da crise econômica e já vive dias mais austeros, por aqui, há um setor alheio a esses acontecimentos e que mais parece ter selado um "pacto" com a ostentação. Produções luxuosas, lustres de cristais e candelabros dourados resumem as tendências das festas de casamentos da alta e média sociedade curitibana. Nenhum detalhe pode passar despercebido nos eventos, até o lencinho de papel no toalete feminino precisa ser chique.
"Os noivos procuram o luxo e o diferencial, do convite ao menu e cartões de agradecimento. A recepção não tem que ter cara de casamento, mas de uma casa gigantesca de um milionário que está recebendo os convidados", contextualiza Rossana Lazzarotto, renomada produtora de eventos especiais de Curitiba. "Transformamos qualquer lugar na casa da mãe da noiva, como uma Casa Cor em festa. Inclusive o banheiro decoramos nos mínimos detalhes. Trabalho para clientes exigentes, pessoas viajadas e de alto poder aquisitivo. Eles sabem o que querem comer e beber", explica.
A produtora organizou um casamento no Castelo do Batel, que teve o interior da Catedral de Notre Dame reproduzida em uma plotagem em alto relevo. "Hoje as igrejas são complicadas, impõem limites na decoração e número de padrinhos. Nesse casamento, a noiva tinha 28 padrinhos e madrinhas. Sugerimos recriar uma capela e ela pediu que fosse a de Notre Dame", conta. Após a cerimônia, os noivos assistiram a uma apresentação de fogos de artifício e de uma escola de samba de São Paulo. A festa ainda foi animada por uma orquestra de Londrina com 28 músicos. A produção e ambientação não saíram por menos de R$ 300 mil.
Segundo o produtor de eventos, Rodrigo Ono, quase tudo é possível na produção de um casamento. "Precisamos saber exatamente o que a pessoa quer e os parâmetros financeiros. Daí fazemos um projeto para ver se é viável. O cliente sempre recebe um projeto exclusivo para seu casamento, fazemos tudo personalizado de acordo com o estilo dos noivos", informa ele, que é formado em Arquitetura e Paisagismo e atua no ramo há 11 anos.
Para compensar a pouca diversidade de espaços para casamentos na cidade - os mais procurados para esse fim são Castelo do Batel, Espaço Batel, Buffet do Batel, Nuvem de Coco e o Clube Curitibano - são recriados ambientes com falsas paredes revestidas de tecidos, escadas, capelas, iluminação, mobiliário, decoração e paisagismo. "A ideia é que o convidado não sinta que está indo para um casamento, mas a um evento diferenciado, cheio de surpresas. Faço casamentos no mesmo espaço, mas completamente diferentes", conta Ono.
"Teve um casamento que a noiva queria descer uma escada, então construímos uma, em um ambiente com novas fachadas. Vou fazer um evento que terá uma cúpula de cristal em cima de uma passarela em uma piscina, onde será realizada a cerimônia religiosa. Fazemos um projeto como se fosse construir uma casa", detalha Rodrigo Ono que realiza, todo mês, cerca de 12 casamentos com orçamentos milionários. Por ano, ele faz a produção de dois a três casamentos que custam a fortuna de R$ 5 milhões.
Algumas novidades da produção de casórios, segundo Ono, é enviar junto com o convite duas taças personalizadas e um mini-espumante para que os convidados comecem a brindar, desde já, o casamento. O buffet ainda é bem tradicional, as famílias gostam de uma abertura com mesa de antepastos e optam por um jantar com número reduzido de pratos, só que mais requintados e exóticos, como salmão defumado e pato com molho de laranja e massa de chocolate.
"Programamos uma ceia na madrugada para que os convidados comam depois de dançar e distribuimos havaianas. A proposta é oferecer todo conforto para que os convidados permaneçam o máximo na festa", disse ele, completando que "está em alta" colocar carrinhos de cachorro quente e de sorvetes na pista de dança. "Assim não precisa parar de dançar para comer", justifica.
O produtor organizou, em Santa Catarina, há pouco tempo, um casamento nos moldes das festas norte-americanas. "É interessante porque dura todo final de semana e propõe que as famílias e amigos se conheçam em um almoço no dia anterior. Assim, os convidados vão para o casamento mais entrosados, divertem-se juntos. Não é como aqui, que muita gente nem se cumprimenta nas festas" compara Rodrigo Ono.


