A única árvore tombada pelo Patrimônio do Estado fora de Curitiba é também a única que não foi preservada por sua importância natural, mas sim por causa de sua história. O Carvalho do Unbenau, como é conhecido, localizado na Praça do Centenário, no local da antiga sede de um clube, a União Beneficente Náutica (Unbenau), é considerado como um marco histórico da colonização polonesa no município de São Mateus do Sul (91 km a nordeste de União da Vitória).
O professor de história Mário Deina, um dos organizadores do movimento pela preservação da árvore é quem conta a história: ''A árvore é fruto de uma semente trazida da Polônia pelos imigrantes. Quando eles vieram, trouxeram algumas relíquias, simbolismos para eles se manterem ligados à pátria mãe, entre eles as sementes''.
Ele acredita que a árvore foi plantada mais ou menos em 1870, em um local onde os imigrantes ficaram provisoriamente, por dois a três meses, até que o governo organizasse a distribuição de lotes para cada família. Trata-se, portanto, de uma espécie exótica, ou seja, que não é natural da flora brasileira. No Brasil, o Carvalho cresce na Mata Atlântica.
O Carvalho de São Mateus do Sul, no entanto, está morrendo. Ele é uma das duas árvores tombadas no Estado que estão condenadas, segundo avaliação de engenheiros florestais e agrônomos. ''Ele praticamente já morreu'', diz a engenheira agrônoma Miriam Rocha Loures, responsável pela manutenção do patrimônio estadual, explicando que a árvore sofreu danos sérios em toda a raiz, provavelmente durante os trabalhos de calçamento feitos no local. ''Por ser uma árvore exótica ela sofre mais do que as espécies nativas.''
A comunidade já está se mexendo para que a memória dos imigrantes não se perca com a morte do Carvalho. Segundo Deina, foi enviada correspondência ao Conselho Estadual do Patrimônio solitando a extensão do tombamento do Carvalho do Unbenau sobre três mudas que foram plantadas em diferentes pontos da cidade a partir de sementes retiradas do Carvalho. ''A preocupação é que no futuro, pessoas das novas gerações, desconhecedoras da história local, venham a eliminar essas arvores sem tomar conhecimento da importância delas para a preservação da cultura local'', cita o pedido. (M.G.)

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