Cartela tem 21 tonalidades pesquisadas
Juliane Fuganti encarou o desafio de pintar sobre uma persiana de papel e usando cores com as quais não costuma trabalhar, como o lilás e o azulPara o biênio 97/98, o Comitê Brasileiro de Cores acaba de apresentar uma cartela com 21 tonalidades, seguindo pesquisas mundiais. Para detectar as nuances de cada tom, esses organismos internacionais fazem verdadeiras peregrinações pelo mundo todo, colhendo as cores de cada lugar. Do Mediterrâneo ao Pacífico, chegando ao Ártico, foram atrás, por exemplo, das cores da água.
Segundo Elisabeth Wey, coordenadora do CBC, de uns anos para cá as tendências fazem sempre referência à natureza. Nesta sequência, são quatro as principais linhas atuais: germinação, pedras, água e rotas.
A germinação lembra frutos maduros, explorando cores como tomate, maçã, cenoura e limão, mais vivas do que o dourado outonal que esteve em voga há alguns anos mas que ainda perdura com discrição.
O tema pedras enfoca os tons claros, acinzentados, brancos e rosados, típicos dos minerais, lembrando pedras patinadas pelo tempo. Com a simplicidade como característica, essas nuances ganham sofisticação com texturas e composições.
A água vem no estado de gelo, o que alia à transparência os reflexos cintilantes da prata. O efeito da luz solar sobre os cristais de gelo produz uma gama de tons da qual foram pinçados o lilás, o alumínio, o anil e tons levemente rosados como o strato e o pelle.
A arquiteta e designer Elisabeth Wey coordena o Comitê Brasileiro de Cores, que a cada dois anos lança uma cartela de cores para a indústria ligada a decoração
Por fim, sob a inspiração rotas , as cores lembram pequenos portos, barcos com cascos desbotados, coloridos intensos mas antigos. Azul navy, verde esmeralda, vermelho galego e tons amarelados como o caramelo, a gema, e a amêndoa aparecem em versões para ambientes arejados, descontraídos e iluminados.
Não foi com essa totalidade de opções, no entanto, que os artistas convidados para participar do evento de lançamento da nova cartela trabalharam. Cada um recebeu um kit surpresa com seis cores e a incumbência de encontrar uma harmonia entre elas. As tintas deveriam ser usadas em seu estado puro, sem misturas, diluições ou aprofundamento dos tons.
É um desafio porque não são cores com as quais estou acostumada a trabalhar, avaliou a artista plástica Juliane Fuganti, às voltas com lilases e azuis e pintando sobre a superfície alternativa de uma persiana de papel, a tela proposta pela organização do evento.





