Curitiba - O vale-transporte sempre foi objeto de venda em Curitiba, quando era de metal, em forma de moeda. Com a implantação do cartão eletrônico, a prática, que era adotada por muitas pessoas, acabou. Entretanto, há ainda uma cidade em que a atividade é uma profissão e sustenta cerca de trinta famílias em São José dos Pinhais, município da Região Metropolitana de Curitiba (RMC). Mas vendedor de vale, que na cidade é de papel, é uma profissão que pode acabar em breve. A prefeitura quer implantar também o cartão eletrônico.
A reportagem da FOLHA conversou com alguns vendedores de vales, mas nenhum quis se identificar. ''O pessoal pega nas empresas e vende para a gente'', conta um deles. De segunda a segunda, os vendedores de vales têm uma média de lucro de dez centavos em cada negócio e conseguem receber com as vendas cerca de um salário mínino. O preço do vale em São José dos Pinhais é de R$ 1,70.
A maioria deles trabalha com coletes de cor cinza, em que se identificam como vendedores. Um senhor de 76 anos está há anos na profissão e já foi vítima de assaltos, muito frequentes, de acordo com o grupo. ''Me levaram seis mil vales, certa vez'', lembra. Questionados sobre o que farão quando o cartão eletrônico for implantado, todos responderam que procurarão emprego. (D.R.)

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