Carreira literária começou em Londrina
PUBLICAÇÃO
sábado, 18 de agosto de 2007
Thiago Nassif<br>Reportagem local 
A trajetória de Olívio Jekupé teve seu capítulo na cidade de Londrina. Por um ano e meio, o líder comunitário e escritor da aldeia indígena Krukutu, localizada em Parelheiros, São Paulo, residiu na Aldeia Laranjinha, que fica na região de Santa Amélia (63 km ao sul de Cornélio Procópio). ''Trabalhava como professor e, após vencer meu contrato, com o dinheiro que recebi do fundo de garantia, entrei em contato com uma gráfica de Londrina e publiquei um livro''.
Intitulada ''500 Anos de Angústia'', a obra, lançada em 1999, serviu de trampolim para a mudança para São Paulo. A intenção? Ganhar novos ares e divulgar o trabalho. Funcionou. ''Optei por me mudar para a aldeia Krukutu porque, além da proximidade com São Paulo, tinha a facilidade de estar em contato com mais turistas, que consumiam meus livros. Tanto é verdade que, após um tempo, a primeira tiragem havia acabado''.
O sucesso em domínios paulistas serviu de passaporte para a consolidação da carreira literária de Olívio. Ao todo, Jekupé conta com oito livros publicados. Recentemente, inclusive, teve um trabalho lançado na Itália. ''Foi um sufoco abrir esse caminho. A literatura indígena no Brasil é algo novo. Após eu começar a publicar meus livros, outros índios tiveram a mesma iniciativa. Foi uma reação em cadeia das mais positivas'', analisa.
Olhando para trás, o escritor acredita que houve uma melhora, das últimas décadas para cá, em relação à questão indígena. ''Ainda há muito o que divulgar, mas, hoje, o índio está vivendo um pouco melhor porque os antepassados lutaram por isso. Na década de 1990, começaram a surgir os escritores, que passaram a debater a questão indígena. Em relação à educação, também. Nos anos 80, não tínhamos direito a nada. Agora, há as cotas, bolsas, cursos de magistério pagos pelo Governo. A luta do passado proporcionou os ganhos do presente''.
Por falar em ganhos, Olívio acentua que a tecnologia e os índios caminham juntos. ''O fim da era das cartas veio junto com a chegada da internet. Mandamos e-mail, nos comunicamos com outros índios. Eu, por exemplo, tenho até minha conta no Orkut. Além disso, podemos divulgar nossos trabalhos e ficamos sabendo das informações atuais, pois muitas das aldeias, da Amazônia à região sul, têm acesso à Web. Já me comuniquei até com índios dos Estados Unidos. É a tecnologia a nosso serviço, utilizada para o bem''.
Serviço
Para saber mais sobre o assunto, Olívio recomenda visita ao site www.culturaguarani.hpg.com.br


