A rua não tem nome nem asfalto. A água tratada vem de um cavalete instalado pela Sanepar. Para ter energia elétrica os moradores fizeram ligações irregulares nos postes da Copel, conhecidos como ''gatos''. Esse é assentamento Vale do Sol, que fica próximo ao Jardim Primavera. Este é o ponto mais ao Norte da zona urbana de Londrina.
Na última casa do assentamento, que fica quase às margens do córrego Sem Dúvida, mora o carpinteiro José Jerônimo de Freitas, 58 anos. No local há cinco anos, desde que se separou da mulher e foi morar sozinho, ele confia na promessa da Companhia de habitação de Londrina (Cohab), de que logo terá uma casa em um local melhor. ''Dizem que vamos ganhar uma casinha, essa é a minha grande esperança'', diz Freitas.
A pequena casa, de aproximadamente 20 metros quadrados, com as paredes feitas de tábuas, foi construída pelo próprio carpinteiro, que levantou seu lar em apenas uma semana. Simpático, ele fez questão de que a reportagem entrasse para conhecer o espaço pequeno e humilde, porém bem organizado.
Na porta, tapetes de borracha ajudam a evitar que se forme lama e dentro da casa tudo é muito limpo, mesmo com a falta de asfalto da rua sem nome. ''Aqui é muito difícil manter a higiene, mas estou sempre limpando para evitar que junte muita sujeira'', explica.
Segundo ele, além do problema da higiene - no assentamento também não há rede de esgoto - as outras duas grandes dificuldades são a falta de segurança e a imensa distância de tudo que não esteja na Zona Norte da cidade. ''Tenho cinco filhos, quando eles vêm me visitar dizem que é para eu sair daqui, pois o lugar é perigoso e longe de tudo, mas eu não tenho condição financeira de ir para outro lugar''.
Para chegar ao serviço, na Zona Sul, próximo à Universidade Estadual de Londrina (UEL), ele gasta mais de uma hora de carro. ''Mesmo pegando uma carona com o meu patrão, demoro mais de uma hora para chegar ao serviço, é longe demais'', salienta o carpinteiro.(W.S.)

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