Quando os pioneiros Ênio Camargo Queiroz, Joaquim Teodoro de Oliveira e Saul Ferreira Caldas resolveram preparar, pela primeira vez, um prato à base de carne de carneiro, cozido debaixo da terra, com certeza não imaginaram que estavam criando uma festa nacional. Muito menos puderam pensar que estavam criando um símbolo para Campo Mourão. Mas foi exatamente isso que fizeram. A experiência, feita após assistirem no cinema um filme de faroeste, provavelmente em 1961, mudou a história da cidade 30 anos depois.
‘‘Lendas’’ à parte, da primeira vez que o prato foi preparado até o início dos anos 90, o carneiro no buraco passou por uma série de transformações, mas só era servido esporadicamente. O difícil preparo - são necessárias cerca de 13 horas de trabalho - inibia a maioria de se arriscar a fazer a iguaria. Bastou surgir o boato de que Maringá estaria disposta a oficializar o carneiro no buraco como prato típico, no entanto, para Campo Mourão se mexer. A mobilização foi puxada pela Boca Maldita e em pouco tempo já havia até lei oficilizando o prato como mourãoense. Em seguida, veio a Festa Nacional.
De lá para cá, o carneiro no buraco ganhou fama e não parou mais de conquistar os paladares de todos os lugares por onde passou. Ou de todos os paladares que passaram pela cidade. Como verdadeiro símbolo da cidade, um simpático carneirinho passou a ser visto em todos os lugares. Virou desde mascote da fase final dos Jogos Abertos do Paraná até desenho obrigatórios nos souvenirs do município. Mais do que isso, nenhuma autoridade que visita a cidade vai embora sem conhecer o prato. Até agora, só houve elogios.
O fascínio do carneiro no buraco começa pelo seu modo - único - de preparo. A carne é cortada em pequenos pedaços e colocada em tachos em camadas alternadas de legumes e frutas. E não é pouca coisa, não. Fazem parte da lista dos ingredientes, tomate, cebola miúda, batata-doce, batata salsa, chuchu, abobrinha verde, cenoura, pimentão vermelho, vagem, maçã miúda e banana nanica. Contou? São nove tipos de legumes e dois de frutas. Somente no tempero, tudo isso tem que ficar por pelo menos três horas. Mas isso ainda não é nada.
RedondoPara preparar o prato, é preciso cavar um buraco com 1,5 metro de profundidade por 1,15 de diâmetro. O buraco tem que ser redondo. Pelo menos é isso que prega o principal mestre-cuca do carneiro no buraco, Tony Nishimura. Feito o buraco, é preciso queimar nele, durante quatro horas, 1,5 metro cúbico de lenha. Só depois disso é que o tacho deve ser levado ao buraco, que é coberta com tampas próprias e terra.
Seis horas depois, a apetitosa iguaria está pronta para ser servida. Antes, porém, é bom retirar um pouco do caldo para preparar o pirão.

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