Responsável pela composição de beleza e brilho de muitos carnavais, Marlene Montecarmelo, 64 anos, é umas carnavalescas veteranas de Curitiba. Vive intensamente a festa popular desde 1962, quando estreou na Escola Dom Pedro II. ''Meu pai não deixava eu desfilar no carnaval. Era adolescente quando me apaixonei pelo carnaval. Só depois que ele conheceu e viu que era uma festa familiar é que deixou que eu participasse dos preparativos. Desfilei mesmo só quando me casei'', recorda ela.
Depois que a Dom Pedro II foi extinta, ela ajudou a fundar a Escola Mocidade Azul, em 1975, onde permaneceu até 2006. ''Foi campeã durante dez anos. Enquanto não se resolve na justiça o futuro da Mocidade, colaboro com outra escola, a Internautas. Sou profissional, gosto do carnaval, da brincadeira, da camaradagem. Sou amiga de todos e tudo que for possível para ajudar nessa festa estou disposta a fazer'', disse Marlene, que também vai desfilar na Embaixadores da Alegria como homenageada. Ela foi porta-bandeira da escola durante dois anos, na década 1980. ''A Mocidade promoveu bailes com Neguinho da Beija-Flor, Jorginho do Império, que ficavam lotados. Lembro que os ensaios começavam em outubro'', relata ela, que é dona de uma loja de fantasias, no Centro, há cinco anos.
Sobre os antigos carnavais, ela diz ser saudosa. ''Ficou gravada na memória aquela bateria do Colorado, que era violenta e aquelas passistas maravilhosas, irretocáveis, como a Marlene D'Angola. Já a Mocidade era imbatível com as fantasias e harmonia. Todo aquele pessoal sumiu, desencantou-se com o carnaval'', acredita Marlene Montecarmelo, dizendo que a festa foi boa até 1995. ''Hoje estamos aqui batalhando contra o desdém da cidade com o nosso carnaval, que é produzido em condições mínimas, só para não sair do calendário. Sinto não ter mais idade para ajudar a salvar o nosso carnaval. Tenho o sonho de ainda montar uma escola de samba'', revela ela. (F.G.)

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