Carnaval faz parte das discussões
O Carnaval também faz parte das discussões no Festival Paranaense de Samba. Como lembra o organizador Candiero, ''antes de festarmos, temos muito a debater, conversar.'' Amanhã pela manhã será realizado um fórum das escolas de samba. Na quinta, o Fórum de Samba Paranaense, que vai tratar da memória da modalidade no Estado. Mestre Maé da Cuíca esteve presente no Encontro de Compositores e Intérpretes de Samba-Enredo, realizado no último sábado.
''O Carnaval de Curitiba vai muito mal. Desde que saiu da Marechal Deodoro, só piorou. Tem de ser uma festa para o povo. Antes, você chegava de ônibus na Osório, Carlos Gomes e Rui Barbosa e estava ali. Para ir a pé até o Centro Cívico é muito longe'', comenta Maé. O próprio já havia dito à FOLHA, em entrevista concedida em janeiro, que só volta à avenida se o Carnaval de Curitiba retornar à Marechal Deodoro.
Maé entende que a finalidade do evento que segue até o sábado é melhorar a qualidade do Carnaval na cidade. E acredita na vontade de seu realizador, Candiero, de fazer isso acontecer. Quanto aos políticos, o músico diz que as promessas foram muitas, mas as realizações, até hoje, muito poucas.
A carioca Maria Augusta Rodrigues, 66, presente no encontro do último sábado, se diz assustada. ''Com muita coisa que vi e ouvi na cidade. Senti um processo de resistência e preconceito às manifestações populares.'' Especialista em cultura popular, Maria Augusta é mais conhecida por ser a comentarista dos Grupo Especial do Carnaval do Rio de Janeiro para a TV Globo. Ela esteve na cidade para prestar assessoria à Comissão da Prefeitura que organiza o Carnaval de Curitiba.
Em sua opinião, não há como levar a festa adiante se as escolas de samba não têm sedes para ensaiar. ''Ou a Prefeitura vai ter vontade política e doar terrenos, criando espaços para ensaios, ou tudo vai acabar.'' Maria Augusta havia estado pela última vez na cidade no começo dos anos 1990, quando mais uma vez prestou assessoria à Comissão de Carnaval. ''Fiquei impressionada com o que vejo agora em Curitiba. Piorou muito, em algo que é vital. Lembro que um País que não preserva sua cultura popular fica sem identidade.'' (R.U.)





