Rio de Janeiro - Uma placa na entrada do barracão da escola de samba Acadêmicos da Rocinha, na zona sul do Rio de Janeiro, avisava, na última quinta-feira: ''faltam 17 dias para o Carnaval''. O prazo certo era um mês exato, mas a diretoria da agremiação espera ter seu desfile pronto duas semanas antes da data, 26 de fevereiro. A escola que juntou a comunidade da Rocinha com a alta burguesia dos condomínios de São Conrado, bairro aos pés da favela, não é exceção.
Nos outros 13 barracões das escolas do Grupo Especial, agora concentrados na Cidade do Samba, o Carnaval de 2006 está adiantado para a maioria. A Beija-Flor de Nilópolis e a Mangueira, por exemplo, prevêem terminar seus carros e fantasias no próximo sábado. ''Não é muita novidade para a gente, sempre concluímos nosso desfile com calma'', diz Max Lopes, carnavalesco da verde e rosa.
Ele admite que a Cidade do Samba, para onde todos se mudaram em setembro do ano passado, deu mais auto-estima aos artesãos que constróem os carros alegóricos, os adereços de mão e as fantasias da comunidade, mas o principal ganho foi a possibilidade de ver o desfile do ponto de vista dos jurados e do público das arquibancadas. ''A Mangueira sempre teve um barracão arrumado, mas como a gente via os carros do chão, tinha que imaginar como seria visto do alto. Não mudei a concepção do desfile, mas caprichei nos detalhes.''
O coordenador do Carnaval da Beija-Flor, Laíla, tem saudade do antigo barracão, um armazém do porto, mas reconhece que é sentimentalismo. ''Trabalhei lá dez anos e a escola ocupava o espaço há 17'', conta ele. ''Acho que no ano que vem me acostumo.'' Seus auxiliares, Fransério, Cid Carvalho, Shangai e Ubiratan Silva são uníssonos para contestá-lo. ''Aqui todo mundo trabalha com conforto e o dia rende mais porque estamos mais coesos'', diz Carvalho.
A divergência rende poucos minutos de conversa porque os cinco têm um objetivo comum, o segundo tricampeonato da escola, para repetir o feito dos anos 70. O enredo é sobre as águas e a cidade mineira de Poços de Caldas, uma estação de águas termais, entrou com R$ 1,2 milhão. ''Dá para fazer as 2.000 fantasias das alas da comunidade, não chega à metade do gasto com o desfile'', diz Laíla.
A Caprichosos de Pilares se cobre de chocolate porque o enredo sobre o Estado do Espírito Santo é patrocinado pela fábrica Garoto, com sede em Vila Velha, na região metropolitana da capital Vitória. O carnavalesco Milton Cunha criou um enredo que conta a história dessa delícia da era pré-colombiana (com um carro inca todo em ouro) e, embora vá sair com 3.500 pessoas, espera ter tudo pronto até o fim da semana que vem, inclusive as coreografias marcadas. ''Antes a gente ensaiava na rua. Aqui tem espaço para alas inteiras se prepararem.''

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