Nascido no Rio de Janeiro em 1924, filho da também carioca Odete e do sergipano Adolfo, já no início da década de 40 o jovem Orlando Mayrink Góes não se contentava em morar apenas na ‘Cidade Maravilhosa’ e então Capital federal do País. Foi quando ele ficou sabendo que a colonização inglesa avançava pelo Norte do Paraná e representava uma grande oportunidade para os que tinham espírito aventureiro, vontade de trabalhar duro e coragem para empreendimentos com alguma chance de êxito.
Com formação de nível médio em contabilidade, ele abandonou a faculdade de Economia no segundo ano e embarcou para Londrina em 1944. Veio sozinho, solteiro, com pouco dinheiro no bolso, mas trazendo na cabeça a certeza de que venceria os desafios. E não foram poucos, nestes 53 anos de norte-paranaense. ‘‘Transformei-me num pé roxo, num londrinense de coração. Ao Rio de Janeiro, ia muito enquanto meus pais estavam vivos. Nos últimos anos, tenho ido menos, só a passeio, para rever irmãos e amigos’’, comenta.
Orlando - com cinco filhos e três netos - trabalhou ativamente para o crescimento e desenvolvimento de Londrina nestas mais de cinco décadas, e não tem dúvida: ‘‘A Acil sempre foi, ao longo do tempo, a entidade, o órgão mais importante na história de nossa cidade. Ela desempenhou e prossegue desempenhando um papel fundamental não só para os empresários dos setores do comércio e da indústria, mas para toda a população, sempre lutando pela solução do problemas que afligem as pessoas e pela melhoria da qualidade de vida.’’
O início foi muito difícil, como era de se esperar. Ele conta que Londrina, como toda cidade em fase de implantação, não contava com a infra-estrutura a que ele estava acostumado no Rio de Janeiro. Mas isto só estimulava os líderes da colonização na busca de soluções e caminhos que levassem ao sucesso do empreendimento. ‘‘Ao lado da Prefeitura e da Companhia de Terras, que liderava os investimentos e abertura de novos horizontes, a Acil lutou duramente por Londrina e seu povo’’, lembra Orlando.
Grande famíliaLogo que chegou, Orlando abriu um escritório de contabilidade e representação comercial. Passou a atuar junto à companhia inglesa, na compra e venda de glebas de terra. Os dois principais investimentos, nesta área, foram nos municípios de Santa Fé e Paranavaí. ‘‘Eu comprava da Companhia de Terras e revendia às imobiliárias, que loteavam as glebas e repassavam as terras aos fazendeiros e sitiantes’’, explica o empresário. ‘‘O trabalho de abrir novas frentes era duro, na mata fechada. Mas era muito gostoso. Havia muita gente chegando de várias regiões brasileiras e de outros países. Parecia uma grande família; todos trabalhando de forma muito unida.’’
Paralelamente, Orlando Mayrink Góes começou a comprar automóveis, um dos grandes amores de sua vida. Em pouco tempo possuia cinco, que trabalhavam como como táxi levando e trazendo pessoas do centro da cidade ao antigo Campo de Aviação. Em 1947, tornou-se sócio de João Batista Gurgel Pismel, dono da primeira revendedora de automóveis em Londrina. Dez anos depois, comprou a parte de João Pismel e assumiu como sócio majoritário a empresa, que até hoje funciona no mesmo endereço - esquina da Rua Mato Grosso com a Avenida Celso Garcia Cid - e vende veículos Ford.
Mesmo sem nunca ter sido diretor da Acil, Orlando se diz orgulhoso de sempre ter sido sócio e participado das tomadas de decisões da Associação. ‘‘Sempre estivemos à frente das questões ligadas a Londrina. A Acil fretava aviões, e nós íamos ao Rio de Janeiro, Curitiba, São Paulo, e depois Brasília, em busca de recursos, de investimentos que ajudassem nossa cidade a crescer, a se desenvolver e a resolver seus problemas sociais’’, afirma Orlando.
‘‘E fico feliz que hoje, com o Abílio Medeiros Júnior à frente, a Acil prossiga neste caminho, extrapolando as questões comerciais e industrias, e participando ativamente dos setores sociais, esportivos e até políticos, como este da segurança pública e da luta pela construção de uma nova Cadeia Pública. Este é o caminho certo para uma Acil forte, consciente e reponsável pelo seu papel histórico’’, complementa.

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