Desde o final de fevereiro, quando assumiu a presidência do Conselho Estadual de Sa© úde, Joelma Carvalho precisa estar em Curitiba pelo menos uma vez por semana. Vai de avião, mas não por frescura e sim para economizar tempo, que para ela é importantíssimo.
Joelma é a primeira mulher na presidência do Conselho. Só isso já seria um motivo para comentários do tipo ''acha que essa menina é capaz ?'', algo que andou ouvindo recentemente. Mas ela vai muito além quando o assunto é desafiar as regras. Sem curso superior, Joelma mora na Zona Rural e faz questão de acompanhar de perto a plantação de mandioca da família, na Usina Três Bocas, Zona Sul de Londrina.
Claro que para fazer tudo isso, ela precisa mesmo de tempo e muita disposição, já que está sempre lutando por qualidade de vida para outras pessoas. ''Sou assim desde que me conheço por gente '', explica Joelma, que aos 11 anos, enfrentou o pai para que os bóias-frias da fazenda em que ele trabalhava pudessem receber mais. ''Falei para o meu pai que eles iriam fazer greve se não recebessem o que era justo. Eu inventei tudo porque ninguém falou em parar'', lembra Joelma.
Caçula de nove irmãos, Joelma aprendeu logo cedo a conquistar seu espaço. Determinada, dirigia trator e caminhão aos 11 anos e era a primeira a se manifestar para organizar as festinhas na escola. Pena que a ida às aulas foi interrompida cedo demais. Joelma só voltou a estudar quando já estava casada, aos 18 anos.
''Meu marido é professor e me incentivou'', conta. Na volta aos bancos escolares, num curso supletivo, o desafio de aprender se uniu ao objetivo de conseguir um prédio próprio para a escola. De lá para cá, não se desligou mais das reuniões que pudessem trazer melhorias. Foi indicada para o Conselho de Saúde da Zona Sul (Consul), do qual foi vice-presidente em 2000 e presidente em 2001 e logo já estava fazendo parte da Central de Movimentos Populares (CMP) e até participando da rede de lideranças da América Latina.
''Não deixo nunca o trabalho que iniciei para trás'', garante Joelma, que na vida, só vai somando afazeres. ''Quando se tem objetivos e metas fica mais fácil'', ensina Joelma, que sabe que o respeito que conquistou não aconteceu da noite para o dia. ''Tem que ter comprometimento'', avisa. (K.M.)

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