Cardoso revela ter votado em Covas
PUBLICAÇÃO
domingo, 04 de outubro de 1998
Agência Folha 
O presidente Fernando Henrique Cardoso deixou a seção eleitoral ontem declarando o voto em favor do governador licenciado Mário Covas (PSDB). Votei no Covas. Votei no Covas., disse FHC, quase gritando. A referência ao governador tucano foi a única frase dita por FHC durante as cinco horas em que permaneceu em São Paulo.
O silêncio do presidente, segundo assessores, deveu-se ao temor de infringir a legislação eleitoral e, assim, acabar maculando a vitória. O temor começou quando ele chegou a São Paulo, às 11h20. FHC foi informado, ainda no aeroporto, de que o senador Ney Suassuna (PMDB-PB) e o deputado Inocêncio Oliveira (PFL-PE) haviam tido problemas com a Justiça Eleitoral nos seus Estados. A isso, somou-se um recado passado pelo presidente do Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo, desembargador Nelson Shiesari, que acabou chegando aos ouvidos da assessoria presidencial. O desembargador não queria saber de declarações de candidatos feitas nas áreas próximas às zonas eleitorais.
Por causa disso, depois de votar FHC não parou para falar com os jornalistas, que o aguardavam ao lado da entrada da Escola Estadual Alberto Levy, na avenida Indianópolis (Planalto Paulista, zona sudoeste da cidade), conforme havia sido planejado pela assessoria dele. Ficou nítida a frustração dos assessores, que queriam que ele falasse sobre a força do voto na democracia e desmentisse a edição de um pacote econômico após as eleições.
FHC gastou 35 segundos para votar. Ele levou no bolso do paletó a cola com os números de seus candidatos a deputado estadual e a deputado federal - os demais (o dele, 45, inclusive) ele sabia de cor, segundo assessores. O presidente queria passar por cidadão comum. Até ensaiou ir para o fim da fila da seção 72 da zona 258, onde sempre votou. Havia cerca de 40 pessoas aguardando para votar na hora em que ele chegou, às 11h40. Para não criar problemas à segurança presidencial, o juiz responsável pela zona 258, Alexandre Malfati, convidou FHC para passar à frente. Mesmo furando a fila, o presidente foi aplaudido. Uma senhora idosa - que seria a próxima a votar - gritou: Vota logo, presidente! Pode votar!. Por isso, ganhou um abraço do presidente-candidato, sorridente.
O senador Romeu Tuma (PFL-SP), que vota na mesma zona eleitoral do presidente, foi buscá-lo no aeroporto de Congonhas. Chegaram juntos, mas não votaram na mesma hora. Fui buscá-lo para dar um abraço, disse o senador, que recentemente esteve hospitalizado em decorrência de um infarto. Na chegada, FHC não notou que também passou ao lado do ministro Sidney Sanches, do STF (Supremo Tribunal Federal) e ex-presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral). Sanches vota na mesma zona eleitoral de FHC.
Depois de votar, FHC foi para seu apartamento, em Higienópolis. Foi recepcionado por cerca de 40 pessoas que se diziam integrantes do movimento jovem do PSDB e que negaram estar recebendo algo para agitar as bandeiras por aproximadamente meia hora. Almoçou com a mulher, Ruth Cardoso, e com filhos e netos. Às 15h50, pouco antes de deixar São Paulo, o presidente apareceu no portão do edifício acompanhado da mulher e do neto Pedro, 4, que usava uma camiseta da campanha do avô.
Mantendo a promessa de não falar, FHC apenas acenou e sorriu, agradecendo os aplausos de cerca de cem pessoas que se aglomeraram na porta do edifício. Deu beijos numa menina que conseguiu furar o bloqueio da segurança.Agência Estado(Não é permitida a reprodução total ou parcial desta foto dentro ou fora do Brasil)Em silêncioFHC vota em São Paulo: única declaração foi de apoio ao tucano Mário Covas, que disputa a reeleiçãoPresidente passa cinco horas em São Paulo e depois viaja a Brasília para acompanhar a apuração dos votos


