Capital não é só dos parques
Quando se avalia a inclusão dos museus nos roteiros turísticos de Curitiba, os especialistas na área deparam-se com dois problemas básicos. O primeiro é a falta de intimidade dos profissionais de turismo com esses espaços. Segundo Neusa Cassanelli, coordenadora do departamento educativo do Museu Paranaense, uma pesquisa informal, feita junto a estudantes da área que participaram das atividades da Semana Nacional dos Museus, constatou que apenas 6% deles já havia visitado o local. Outro ponto se refere à imagem de que Curitiba é uma cidade onde as únicas opções turísticas são ao ar livre, como parques e espaços ecológicos.
De acordo com Neusa, o número de estrangeiros que visitaram o Museu Paranaense no ano passado é proporcionalmente maior do que o de turistas domésticos. Além das questões culturais que envolvem a relação dos cidadãos com seus museus, existe também uma concepção turística, na capital paranaense, que coloca os estabelecimentos em segundo plano. Exemplo disso é citado pelo diretor do Museu Paranaense, Euclides Marchi, que observa o ônibus da linha turismo passar reto pelo local, levando os visitantes para os parques e bosques.
A inclusão dos museus nos roteiros tradicionais precisa ser bem estudada, principalmente no que se refere ao tempo. Segundo Machi, para se ter uma "ideia" do acervo é preciso pelo menos uma hora de visita, tempo que muitos roteiros não dispõem para apenas uma parada.
Exceção a esta regra é o Museu Oscar Niemeyer, que tem como um dos maiores atrativos sua estrutura física, desenhada por um dos arquitetos mais famosos do mundo. Esse espaço já está no roteiro dos grandes passeios turísticos da cidade, mas nem sempre pela questão museológica. "A ideia é atrair o público pelo patrimônio, não pela arquitetura ou pelo cafezinho", avalia Cassanelli. (A.A.)





