Capacitação pode definir perfil da economia regional
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segunda-feira, 02 de junho de 2014
Edson Ferreira<br>Reportagem Local 
Já consolidados no comércio varejista e na prestação de serviços, Londrina e municípios da região experimentam um movimento novo na formação de mão de obra que pode provocar mudanças significativas no cenário econômico. Embora ainda sejam discretos os indícios de que a região poderá ser referência na atração de indústrias, a equação começou a ser construída com o incentivo ao ensino técnico e empreendedor, para preparar a força de trabalho necessária para atender a demanda das empresas por profissionais da área tecnológica. Para fechar, a conta também deve relacionar outras variáveis como incentivos, tributação e logística.
A instalação dos novos cursos de engenharia de Produção, Mecânica e Química na Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTF-PR), no campus Londrina, a recente reformulação curricular dos cursos oferecidos pelo Senai, a aplicação da educação empreendedora nas escolas municipais e o interesse de empresas de TI pela cidade casos da Atos, que poderá ter aluguel do prédio pago pela prefeitura, e da X5, que ganhou terreno para construir a sede são considerados pontos favoráveis.
O que está acontecendo na região, destaca o diretor do Senai-PR, Marco Secco, é importante para superar situações históricas no Paraná. "O Paraná mantém uma tradição reativa no caso da industrialização. Primeiro incentiva a indústria, depois pensa na mão de obra", diz ele, lembrando do caso da Chrysler, que atuou em Campo Largo (Região Metropolitana de Curitiba) durante seis anos, até 2002. Na época, Secco fez parte de uma comitiva especial que deveria trazer para a planta estadual a experiência de outros países no setor automobilístico.
De acordo com o diretor do Senai, o tipo de capacitação profissional oferecida é importante para a definição do perfil econômico na área. "Londrina construiu o ensino com o olhar para as ciências sociais e biológicas e menos para a área tecnológica. Quando estive no Canadá, presenciei pesquisadores trabalhando com células tronco e, no mesmo espaço, outro profissional atuando com os robôs, e todos interagem muito bem." Forte também na agricultura, a região Norte do Paraná, não precisará, de acordo com Secco, abandonar as origens. "Deve potencializar as virtudes. Ao invés de apenas exportar a soja, é melhor se puder agregar valor ao produto", - transformação possível por meio da indústria.
Segundo números do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), o setor industrial de Londrina emprega cerca de 25 mil pessoas, enquanto 55 mil trabalhadores estão na construção civil e no comércio, sem contar os profissionais da saúde e demais prestadores de serviços. Entre os empresários, o entendimento é de que a cidade e a região vivem o reflexo da formação educacional sedimentada no ensino superior, que ofereceu e oferece mão de obra qualificada nas áreas biológica e humanas.
O ex-presidente da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), Nivaldo Benvenho, que defende, junto com outras entidades, a criação de novos cursos de engenharia (Mecânica, Química e de Produção) na cidade, concorda que o futuro da região pode ser moldado a partir do que se ensina nas salas de aula. "Os novos cursos, como os de engenharia, e a pedagogia empreendedora nas escolas municipais vão fazer por Londrina, no futuro, o que os cursos de Engenharia Civil e de Direito fizeram pela cidade", afirma Benvenho, lembrando da força do mercado local da construção civil, da medicina e da atuação dos escritórios de advogacia de Londrina, muitos com atuação nacional.
Ao analisar a política nacional para a formação da mão de obra, Marco Secco vê com otimismo o cenário do País, com a ampliação das matrículas na educação profissional. No entanto, aponta a principal falha de planejamento do governo federal no setor. "Houve no governo anterior a criação do Prouni e agora, na gestão atual, estamos evoluindo com o Pronatec. Mas deveria ter sido o inverso, com maior oferta inicial no ensino técnico, pois não tem espaço para tanta gente de nível superior na indústria."



