Costuma-se dizer que a carga tributária brasileira é pesada como a de países ricos mas os serviços oferecidos pelo Estado têm qualidade de país africano. Nos últimos anos, mais e mais pessoas têm recorrido a planos de saúde, porque o atendimento público na área sofre com a notória falta de profissionais e estrutura.
A estudante de medicina Ana Carolina Kotinda e seu namorado, o estudante de engenharia elétrica Talis Bennemann, são usuários de planos. Ana salienta que existem restrições. ''O número de consultas é ilimitado, mas o plano não cobre alguns procedimentos. Há pouco tempo, minha família teve que pagar integralmente uma cirurgia vascular que meu irmão fez em São Paulo'', diz ela.
Talis afirma que seu plano de saúde, diferente do de Ana, restringe as consultas para três por pessoa ao ano e teve muitos aumentos de preço nos últimos anos. ''Chega a pesar no orçamento da casa'', explica ele. Mesmo assim, as famílias de ambos não cogitam abdicar do plano, devido ao caos da saúde pública.
''No Hospital Universitário (HU), sempre tem muita gente querendo atendimento e poucos profissionais para atender. Pela manhã, é comum haver superlotação, enquanto à tarde o local fica menos cheio. Acho que a demanda não é organizada'', argumenta Ana.
A merendeira Maria da Graça Berehulka pensa em adquirir um plano de saúde, apesar das restrições financeiras - a renda da casa vem do seu salário e do trabalho do marido, que é mecânico, e do filho de 22 anos, preparador de automóveis. Ela diz que não quer depender mais dos serviços públicos de saúde.
''Tudo é demorado demais. Tenho artrite reumatóide e para conseguir consulta é preciso esperar seis meses'', reclama. O neto de Maria da Graça, Keven, praticamente desde que nasceu sofre com hemangioma (tumores vasculares que aparecem em crianças pequenas) e necessita de cirurgia. Após muita espera, a criança será submetida ao procedimento em hospital público no início de novembro. Nesta época, terá pouco mais de um ano e um mês de vida. (F.G.)

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