Questionado se gostaria de ter seguido a carreira artística, o Guarda Municipal João Batista, que participa dos corais da Fesp e da prefeitura de Curitiba, afirma que, para isso, seria preciso ter encontrado antes a regente Selma Camargo. Hoje, aos 41 anos, ele considera difícil vir a tornar-se um cantor profissional.
Apesar da descrença de João, esse não é um sonho impossível. Segundo o maestro Vicente Ribeiro, diretor artístico e regente do Vocal Brasileirão, a distância entre o cantor amador e o profissional não é intransponível. Em algum momento da vida, a história do cantor profissional passa pelo grupo amador.
No Brasileirão não é diferente. No grupo, onde os cantores encaram a atividade como profissão - e até recebem salário por isso -, a maioria dos integrantes começou em palcos mais modestos. Esse é o caso de André Dittrich. Cantor do Brasileirão há três anos, ele conta que começou ainda na adolescência, participando do coral do colégio Dom Bosco. Com o tempo integrou outros grupos até chegar ao Nós em Vós, que ele considera como o divisor de águas para o mundo do canto profissional.
Recentemente, ele vivenciou outro ponto culminante de sua carreira ao dividir o palco com alguns de seus ídolos, o Grupo Boca Livre, que se apresentou junto ao Brasileirão em novembro deste ano. ''Foi emocionante, comecei a gostar de cantar por causa deles'', emociona-se.
Para chegar nesse nível de qualidade, é preciso dedicação. André conta que os ensaios consomem até sete horas por semana, sem contar no tempo usado para estudar as músicas em casa. Segundo o regente, em um grupo profissional é possível cobrar mais dos integrantes, para que eles estudem e compareçam aos ensaios, mas sem nunca perder de vista que se está lidando com pessoas. (A.A.)

mockup