FOLHA DE LONDRINA: Como deve ser o relacionamento entre a prefeitura municipal e o governo do Estado?
FÁBIO CAMARGO: Deve ser harmônico. Não vou deixar divergência política ou pessoal atrapalhar a administração. Seja qual for o governador vamos ter que ter um relacionamento harmônico. Já demonstrei isso, pois tive diversas divergências com o governo estadual e que hoje estão totalmente superadas. Tanto é que me incluo num grupo independente apoiando o governo do Estado do Paraná. Tanto é que as boas políticas, vou deixar bem claro, do atual governador Requião, vou manter.

FOLHA: Qual a sua opinião sobre a prática do nepotismo?
CAMARGO: Sou contra o nepotismo, a indicação de um parente que não trabalhe. Agora um parente bem preparado que traga benefício para a administração, esse não vejo problema nenhum. Vou te dar um exemplo: sou filho de desembargador. Estudei Direito e assessorei o meu pai. Igual a mim, vários filhos de desembargadores acabaram se formando e assessoraram seus pais. De uma hora para outra ficaram sem emprego. Só porque são filhos dos desembargadores? É crime ser filho de desembargador? Se preparou a vida inteira para assumir um posto lá, aí por ter um parentesco não pode mais exercer a profissão? Então é um absurdo a forma como está sendo colocado o nepotismo.

FOLHA: Podemos concluir que o senhor não é contra o nepotismo, mas sim o funcionalismo fantasma?
CAMARGO: Não precisa nem ser fantasma. É um funcionalismo inerte. Por exemplo, estou propondo a extinção de 80% dos cargos em comissão de Curitiba. Com 20% dos cargos comissionados mantenho a estrutura de primeiro e segundo escalão, secretários e diretores. Com esse valor dos 80% dos cargos comissionados, faço um novo plano de cargos e salários para aqueles que já trabalham na prefeitura e abro um novo concurso público. Dá para encher uma ou outra situação que esteja ficado aberta em função da extinção dos cargos.

FOLHA: O senhor defende uma legislação específica para regulamentar esse assunto?
CAMARGO: Sim. Sobretudo tem que ser estudado caso a caso. E quem pode estudar caso a caso é o próprio Legislativo. E, quando for o caso, o Judiciário.

FOLHA: O senhor é favorável ao financiamento público de campanha?
CAMARGO: Tenho sérias dúvidas sobre isso. Acho que vai estar tirando dinheiro do cidadão. E qual a garantia de que o candidato não vai usar caixa dois? Eu, por exemplo, era contra a pintura de muro. Acho que para acabar o caixa dois tem que acabar com a facilidade. Já foi um avanço quando acabaram com os brindes. Para mim que sou uma pessoa que tem dificuldade financeira para fazer campanha ajudou muito. Acho na realidade que a campanha tinha que ser assim: mostra no vídeo o candidato ao vivo. Isso seria uma campanha sensacional. As pessoas conheciam o candidato. Sem poder fazer visual por trás, sem poder fazer gravação na rua, quanto mais cortarem estrutura para poder fazer campanha mais vai acabar o caixa dois.

FOLHA: O senhor concorda com o entendimento do Tribunal Superior Eleitoral de que o mandato pertence ao partido e não ao candidato?
CAMARGO: Veja, entendo que se fizessemos uma reforma política o certo seria isso. Agora, com a atual legislação, obviamente isso está errado. Por que que tá errado? Por que o que é que o partido colabora com o candidato? Poucos partidos colaboram. Quase que só dão a vaga para ser candidato. E tem alguns partidos que a gente vê até denúncia de que tem que pagar por mês para ter a vaga lá.

FOLHA: Como o senhor avalia a atuação da Câmara Municipal de Curitiba?
CAMARGO: A Câmara de Curitiba é uma Câmara estruturada, organizada, é um exemplo de Câmara no Brasil. Tem vereadores antigos e tradicionais que conhecem a história de Curitiba e vereadores novos que oxigenam a Casa. É uma Câmara equilibrada. E também independente. Sou testemunha disso. Ela não simplesmente se curva às vontades do executivo.


REGRAS
Fábio Camargo, da coligação ‘‘Uma só Curitiba’’, é o entrevistado de hoje na série da FOLHA DE LONDRINA sobre os candidatos ao cargo de prefeito de Curitiba. É a quarta matéria da série. A ‘‘sabatina’’ com os políticos aconteceu no mês de agosto, na sucursal da FOLHA, em horários e datas diferentes. As regras foram informadas previamente para as assessorias dos candidatos.
A publicação segue ordem alfabética nas edições do FOLHA CURITIBA. A próxima entrevista será publicada na quarta-feira (10 de setembro) e vai trazer as propostas da candidata do PT, Gleisi Hoffmann. Devido ao ferido de 8 de setembro, Dia de Nossa Senhora da Luz, padroeira da cidade, o FOLHA CURITIBA não vai circular no dia 9 de setembro.

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